GRITO MS

Dona Noêmia encontra no Senar/MS força para transformar seus doces em conquistas

Produtora saiu da informalidade, obteve Selo ARTE e enxergou na produção rural um caminho de renda e esperança.

Os cinco Selos ARTE conquistados pela produtora rural Noêmia Nogueira para seus doces artesanais são a prova mais recente de uma história construída com trabalho, persistência e apoio técnico. Atendida pelo Senar/MS por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Agroindústria e também pela ATeG Bovinocultura de Leite, a produtora da “Pé da Serra”, no Assentamento Santa Lúcia, em Bonito, celebra hoje uma conquista que permite que seus doces ultrapassem as divisas de Mato Grosso do Sul e cheguem a todo o Brasil. Mas, antes da certificação e do reconhecimento, houve uma trajetória longa de desafios, aprendizado e transformação construída lado a lado com o Senar/MS.

“Eu sonhava tanto, tanto, com esse momento. Achei que não ia conseguir. Sem o Senar jamais chegaria tão longe. A palavra para hoje é gratidão. Obrigada, Senhor! Obrigada, Senar por existir na minha vida”, relata a produtora.

Essa é a história do Transformando Vidas de hoje, confira:

https://youtube.com/watch?v=athiABHMVvo%3Fwmode%3Dopaque%26controls%3D%26rel%3D0

Ao falar dessa jornada, Noêmia mistura gratidão e emoção. A relação construída com o Senar/MS, especialmente com a técnica Emylia Gabriella, que acompanha sua propriedade, ultrapassou o atendimento profissional. “Ela já virou minha psicóloga de tanto me ouvir”, brinca. “É minha amiga, minha ajudante. É da família”, resume. Essa presença foi fundamental em um dos momentos mais difíceis da vida da produtora, quando a filha enfrentou um câncer de mama. Em meio ao tratamento e às incertezas, o apoio técnico e humano ajudou a manter o sonho da agroindústria vivo.

Teve hora que eu pensei em desistir de tudo. Mas ela sempre falava: ‘vamos lutar juntas, vai dar certo, vamos vencer’. E vencemos”.


Relação entre Emylia e Noêmia extrapolou barreiras da assistência técnica e se tornou vínculo pessoal (Foto: Michael Franco)

“Foi uma troca de vida. Na lida com a Dona Noêmia, vi a formalização da agroindústria abrir portas para um potencial artesanal incrível. A agroindústria Pé da Serra agora guarda não apenas um negócio, mas uma joia da nossa gastronomia regional. Me sinto, acima de tudo, honrada em fazer parte dessa história mágica”, complementa a técnica Emylia.

Ponto de partida

A história de Dona Noêmia começa muito antes dos doces. Nascida, no interior paulista, ela cresceu em meio à rotina rural, ajudando o pai na colheita de milho e feijão. Na adolescência, a família decidiu recomeçar no então Mato Grosso, viajando de trem até Bonito em busca de novas oportunidades. Sem muitos recursos, começaram praticamente do zero na cidade.

Foi ali que ela construiu sua própria trajetória. Formou-se em Letras e depois se especializou em psicopedagogia. Tornou-se professora e foi designada para dar aulas no Assentamento Santa Lúcia, onde passaria a viver uma das fases mais difíceis e, ao mesmo tempo, mais transformadoras de sua vida. “Minha turma era multisseriada, crianças de várias idades estudando juntas, foi desafiador, mas eu gostava muito”, conta.

Os primeiros anos no assentamento foram marcados por dificuldades extremas. Quase não havia casas de alvenaria, muitas famílias viviam em barracos cobertos por lona e a infraestrutura era praticamente inexistente. Não havia água encanada nem energia elétrica. Para conseguir água, os moradores enchiam tambores em uma fazenda distante que permitia o acesso da comunidade.

“Decidi permanecer. Meus pais moravam no assentamento e eu queria estar perto deles. Também enxergava um futuro digno para os meus filhos”, explica. O tempo mostrou que a intuição estava certa. Foi no assentamento que ela criou os dois filhos, que mais tarde se formariam, sustentados pela vida construída no campo.


Noêmia aprendeu a mexer com o gado no assentamento para iniciar produção e se organizar aos poucos (Foto: Michael Franco)

Nova rota

Enquanto lecionava, surgiu uma oportunidade que mudaria o rumo da comunidade. Os doces apareceram quando uma organização comunitária levou cursos do Senar/MS para as mulheres do assentamento. “Foi aí que eu conheci o Senar”, lembra. Dona Noêmia aprendeu as primeiras receitas e viu nascer uma nova possibilidade de renda. Os produtos começaram a ganhar espaço no comércio local, mas um susto quase colocou tudo a perder: sem a regularização necessária, os doces foram apreendidos pela fiscalização sanitária. “Aquilo foi um baque. Eu pensei que tinha acabado”.

Foi nesse momento que entrou em cena a Assistência Técnica e Gerencial Agroindústria do Senar/MS. A orientação trouxe mudanças, adequações e organização do negócio até que a produção pudesse voltar ao mercado de forma regularizada. O trabalho não apenas recuperou a atividade, mas abriu caminho para os cinco Selos ARTE que hoje certificam seus doces, a maior conquista da produtora. “Quando eu recebi os selos, eu pensei em tudo que a gente passou. Sem o Senar eu não conseguiria nunca”, resume.

A coordenadora da Assistência Técnica e Gerencial em Agroindústria do Senar/MS, Camila Lima, destaca que, assim como muitas outras atendidas pela instituição, a produtora é símbolo da presença feminina no meio rural. “Ser mulher no campo é aprender a enfrentar desafios todos os dias. Além de mãe e trabalhadora, a mulher rural também é empreendedora e protagonista da própria história. Noêmia representa muitas mulheres que, com apoio, conhecimento e persistência, transformam sonhos em realidade”.


Laís é a principal parceira também em todas as fases da produção, desde a ordenha até a rotulagem dos produtos (Foto: Michael Franco)

Hoje, quando olha para as prateleiras com seus produtos, Dona Noêmia vê uma trajetória inteira transformada pelo conhecimento, persistência e apoio recebido. “Sem o Senar eu não conseguiria nada disso”, diz. Com gratidão e orgulho, ela segue mexendo as panelas, pois, como gosta de repetir, “se existe transformação na vida de alguém, o Senar transformou a minha.”

Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul – Michael Franco

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