Suspense que transforma arte, mistérios e vingança em uma história de enigmas
Romance mistura fatos históricos e ficção em uma trama que atravessa o Rio de Janeiro, a Espanha e os Estados Unidos; obra já está disponível nas plataformas digitais e terá lançamento oficial nesta sexta-feira (14), em Campo Grande.
Um roubo de obras de arte ocorrido no Rio de Janeiro, em pleno Carnaval, foi o ponto de partida para uma trama que, anos depois, ganharia contornos de vingança, enigmas históricos e os mistérios que cercam um dos artistas mais excêntricos do século XX. Em “O Código Salvador Dalí”, o escritor Ewerton Carvalho constrói um suspense no qual realidade e ficção caminham tão próximas que descobrir onde termina uma e começa a outra passa a ser também parte da experiência do leitor.
Já disponível nas plataformas digitais, o livro terá lançamento oficial nesta sexta-feira (14), às 18 horas, na cafeteria Doce Lembrança. A ocasião reunirá apreciadores da leitura para a apresentação da obra e sessão de autógrafos/bate-papo com o autor.
A história acompanha Valentina, médica que tem a vida atravessada pelo assassinato brutal de pessoas que ama. O criminoso é capturado, mas a prisão não encerra todas as perguntas deixadas pelo ocorrido. Dez anos depois, o destino volta a colocá-lo diante dela e o desejo de compreender o passado se mistura à busca por vingança.
É a partir desse encontro que a história se expande. O que inicialmente parece uma narrativa movida por uma tragédia pessoal começa a revelar conexões com obras de Salvador Dalí, códigos, sociedades secretas, ordens religiosas e um mistério que ultrapassa os limites do Brasil e conduz os personagens à Espanha e aos Estados Unidos.
A origem da trama, porém, está em um episódio que não nasceu da imaginação do escritor. Segundo Ewerton, a primeira inspiração veio de um roubo ocorrido no Museu da Chácara do Céu, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, durante o Carnaval de 2006, quando obras atribuídas a artistas como Claude Monet, Henri Matisse, Pablo Picasso e Salvador Dalí foram levadas.
“Quando comecei a escrever a história, pensei: ‘tem contexto aqui’. Então fui atrás do Dalí, porque, em determinado momento, a narrativa levava até a Espanha. Achei que ele tivesse uma representatividade maior e também porque sabia constantemente atrair a atenção para si”, explica Ewerton.
Dalí acabou deixando de ser apenas uma referência histórica para se transformar em uma das engrenagens do romance. Depois de escolher o artista como elemento central, o escritor mergulhou em suas obras à procura de símbolos, episódios e possibilidades que pudessem alimentar os enigmas da narrativa.
Entre a história e a ficção
Uma das características de “O Código Salvador Dalí” é a dificuldade de distinguir o que foi retirado da história e o que nasceu da liberdade criativa do autor. Personagens e acontecimentos reais convivem com sociedades e situações ficcionais sem que a narrativa estabeleça uma fronteira evidente entre os dois universos.
E é justamente a dúvida que interessa ao escritor. “Deixa a pessoa ler e depois criar as dúvidas dela. A história vai caminhando e você se pergunta: é verdade até onde?”. A estratégia também ajuda a explicar a quantidade de referências históricas espalhadas pelas páginas. Para Ewerton, um romance não precisa apenas conduzir o leitor por uma boa história; pode também fazer com que ele termine a leitura querendo descobrir mais sobre aquilo que encontrou pelo caminho.
Uma pintura e uma coincidência
Entre as pesquisas para o livro, uma descoberta ganhou atenção especial do escritor. Ewerton adquiriu duas obras relacionadas ao artista espanhol, “Os Jantares de Gala” e “Os Vinhos de Gala”, e encontrou em uma delas uma imagem que dialogava diretamente com o caminho que sua própria narrativa começava a seguir: “A Cesta de Pão”, pintura de Dalí de 1945.
A presença daquela obra despertou uma nova pergunta. “Quando abri o livro, o primeiro quadro que vi foi justamente ‘A Cesta de Pão’. Pensei: ‘qual a importância que esse quadro pode ter?’. Para Salvador Dalí, Gala era tudo, e ele coloca justamente esse quadro ali. Então pensei que poderia existir algum segredo envolvido nele. Foi mais uma coincidência que acabou se encaixando.”
A partir dessas descobertas, pinturas deixam de ser apenas referências artísticas e passam a integrar o quebra-cabeça proposto ao leitor. Obras, números, acontecimentos históricos e personagens se cruzam enquanto a investigação avança.
O processo exigiu cerca de três anos de pesquisa e escrita. Ewerton concluiu o original em 2023, depois de trabalhar nele durante o período da pandemia. “Normalmente levo de dois anos e meio a três anos em cada livro, porque existe muita pesquisa. As histórias acabam se alongando e eu preciso ler e reler para verificar a coerência, ver se não está faltando algo ou se não deixei alguma lacuna, ainda mais num livro como este que envolve enigmas e mistérios.”
O que a dor é capaz de transformar?
Apesar dos códigos e dos mistérios relacionados a Dalí ocuparem espaço importante no livro, o ponto de partida de “O Código Salvador Dalí” é a reação de alguém diante de uma perda extrema.
“A primeira ideia que me veio foi a de alguém ter um familiar morto e pensar em como essa pessoa poderia se comportar a partir disso”, recorda.
Pela primeira vez em seus livros, Ewerton decidiu colocar uma mulher no centro da narrativa. A personagem aparece inicialmente marcada pelas contradições de quem carrega erros, afetos, culpa e sofrimento. Conforme a trama avança, a mulher apresentada nas primeiras páginas passa por uma transformação cada vez mais profunda.
Nesse percurso, vingança e culpa se confundem. Valentina acredita, em determinados momentos, estar pagando pelas próprias escolhas e chega a interpretar o sofrimento como uma espécie de castigo.
“Ela se pune muito e ao mesmo tempo pede vingança. Considera-se culpada, como se estivesse recebendo um castigo divino. As coisas vão mudando ao longo da história.”
É nesse ponto que o suspense policial também abre espaço para um questionamento que acompanha toda a obra.
Quanto uma pessoa pode mudar diante de determinadas circunstâncias e até que ponto aquilo que sofre pode justificar aquilo que escolhe fazer depois?
Para Ewerton, as escolhas ocupam papel central na construção de seus personagens. “A pessoa sempre tem escolhas a fazer. Estamos constantemente escolhendo, estando em maus ou bons lençois, e, queira ou não, isso acaba voltando para a gente. Para quem acredita em religião pode ser o karma; para quem não acredita, a própria ciência explica como ação e reação.”
Sem entregar as respostas que guarda para as últimas páginas, o escritor espera que o leitor termine a obra não apenas surpreso com o desfecho, mas ainda carregando perguntas.
“Quando a pessoa termina, a primeira coisa que esperamos é que tenha gostado. Mas também quero que pense um pouco sobre se é possível que determinada reação esteja dentro do aceitável e como ela própria reagiria naquela situação.”
Essa talvez seja uma das chaves para compreender “O Código Salvador Dalí”. Mais do que descobrir quem matou, quem mentiu ou quem conduziu as peças do jogo, o suspense convida o leitor a decifrar todos os casos de mistério e buscar a paz pelas decisões que toma na vida.
Serviço – Lançamento de “O Código Salvador Dalí”
Data: 14 de agosto de 2026
Horário: a partir das 18 horas
Local: Cafeteria Doce Lembrança – R. Dom Aquino, 2055 – Centro.
Autor: Ewerton Carvalho
Livro: O Código Salvador Dalí
Disponibilidade: a obra já pode ser encontrada nas plataformas digitais https://www.amazon.com.br/c%C3%B3digo-Salvador-Dal%C3%AD-Ewerton-Carvalho/dp/6561430840

