GRITO MS

Feira Central pode mudar de local com R$ 40 milhões investidos em complexo

Governo do Estado encaminhou ideia ao Iphan, que já rejeitou propostas anteriores da prefeitura

A Feira Central de Campo Grande completou 100 anos em 2025, com a expectativa frustrada de que o centenário fosse comemorado com a entrega de uma reforma no espaço e uma ampliação que incluiria dois novos pavimentos. Pelo menos três projetos arquitetônicos acabaram rejeitados pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) por estarem incompletos e desrespeitarem critérios técnicos relacionados às intervenções no complexo ferroviário e residencial onde o prédio se localiza, que é tombado.

Ainda é um pré-projeto, ou seja, um desenho preliminar para avaliação. “Um novo anteprojeto, que concilia as demandas da Associação da Feira, da Prefeitura e do Estado, já está protocolado no Iphan para análise prévia. Assim que o Instituto concluir a análise, a Agesul iniciará nova assessoria junto à Associação da Feira para confecção dos projetos executivos para que fique dentro das normas, para a futura contratação da obra”, disse o órgão em nota.

O investimento de R$ 40 milhões está garantido, reforçou a Agesul, sendo R$ 15 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal à Prefeitura de Campo Grande e R$ 25 milhões do Governo Estadual.

Mudança de lugar – A principal alteração é a transferência da feira para área conectada com a Avenida Mato Grosso, entre a Rua dos Ferroviários e Avenida Calógeras, e aproximadamente 30 metros distante do conjunto tombado. Seria uma estrutura maior que a atual, localizada no antigo pátio ferroviário. “Implantação rebaixada e afastada do conjunto histórico. Volumetria horizontal e linguagem contemporânea compatível”, diz a descrição.

A reformulação também abandona a ideia de um prédio alto para não ofuscar prédios do complexo histórico. Essa foi uma das principais críticas às propostas anteriores.

O anteprojeto não menciona o destino do antigo prédio se a mudança de lugar se confirmar. 

Na linha roxa (na imagem acima), estão os trilhos restantes da antiga ferrovia. No entorno também há árvores, uma ciclovia e um calçadão para caminhada. 

“O eixo ferroviário será incorporado ao calçadão público e ao tratamento paisagístico da área, reforçando a leitura histórica da antiga infraestrutura ferroviária e valorizando a memória urbana associada ao conjunto protegido”, explica o pré-projeto.

Viável aos negócios” – Alvira Appel, presidente da Afecetur (Associação da Feira Central, Cultural e Turística de Campo Grande), disse nesta sexta-feira (5) que o plano foi encaminhado ao Iphan há 15 dias e que os feirantes esperam uma resposta rápida. 

O primeiro projeto foi apresentado em 2018, ela lembra, e custou aproximadamente R$ 1,5 milhão para ser produzido. O receio é a desvalorização dos R$ 40 milhões obtidos junto ao poder público, já que materiais de construção e mão de obra vão encarecendo ao longo do tempo. “Quanto mais demora, mais a gente vai perdendo lastro”, ela falou.

A representante e a Agesul não deram detalhes do que é proposto para a parte interna da feira. Segundo Alvira, só é possível adiantar que é um novo conceito “viável aos negócios”, que vai proporcionar mais conforto aos trabalhadores e clientes, principalmente. 

“Os feirantes amam o que fazem, trabalham com dedicação. Estamos muito felizes com a iniciativa da Agesul, pois somos muito frágeis sozinhos. Gostaríamos que todos os pares agissem com celeridade agora. A partir do aval do Iphan, as novas linhas desse projeto serão desenhadas”, declarou a presidente da Associação.

Estrutura ruim – Entre os problemas enfrentados pelos feirantes atualmente estão as más condições de trabalho em cozinhas improvisadas nas sobarias, por exemplo, e o desinteresse em vender produtos sensíveis ao calor, como as hortaliças, que são o coração de qualquer feira. Além disso, os lojistas pedem espaços mais atrativos para expor produtos e tornar as vendas mais competitivas.

Cozinheira prepara o sobá, herança da imigração japonesa em Campo Grande (Foto: Álvaro Rezende/Governo de MS)

“Queremos que os condomínios possam dar uma condição saudável de trabalho para os seus funcionários. Somos uma OSC (Organização da Sociedade Civil), mas pagamos impostos para a prefeitura e cumprimos o que a lei pede. Precisamos de melhorias”, completa Alvira.

Até 60 mil – A Feira Central é um dos pontos turísticos mais frequentados de Campo Grande. A gastronomia acabou virando seu carro-chefe ao longo dos anos, sendo sobá, espetinho, pastel e peixe as opções mais procuradas.

Estimativa feita pela Afecetur e pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de Mato Grosso do Sul aponta que cerca de 50 mil a 60 mil pessoas passam pela feira mensalmente. “Tem pico nos dias de festival, nem cabe tanta gente”, afirma a presidente.  

O levantamento foi feito com base em dados do estacionamento e no perfil da clientela da feira, que geralmente a frequenta acompanhada de familiares. 

Matéria editada às 11h24 para adicionar imagens e detalhes do pré-projeto.

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