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FIAP 2026 reúne 16 países na Famasul e amplia debate sobre o papel do Brasil na alimentação do mundo

Fórum internacional discutiu segurança alimentar, sustentabilidade, comércio internacional e oportunidades para o Brasil no mercado mundial.

Fortalecer o diálogo internacional sobre segurança alimentar, produção sustentável e ampliação das oportunidades para a agropecuária brasileira foi o foco da segunda edição do Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP), realizada nesta quinta-feira (18), na Casa Rural, sede da Federal de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), em Campo Grande. Correalizado pelo Sistema Famasul, o encontro reuniu autoridades, lideranças do setor produtivo, especialistas e representantes de 16 países, mais a União Europeia, para discutir os desafios e as oportunidades do Brasil diante da crescente demanda mundial por alimentos e energia.

Com o tema “Receita Brasileira: a resposta da agropecuária à demanda mundial por alimentos e energia”, o evento destacou o papel estratégico do Brasil como fornecedor de alimentos, biocombustíveis e soluções sustentáveis, além da necessidade de ampliar a cooperação internacional em temas ligados à produção agropecuária.

Na abertura do fórum, o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, ressaltou que Mato Grosso do Sul reúne características que colocam o Estado em posição estratégica para contribuir com a segurança alimentar global, conciliando produção, sustentabilidade e inovação.“Somos referência em produção sustentável, bioenergia e o estado que lidera a integração de lavoura, pecuária, floresta, com 3.16 milhões de hectares. Temos uma agropecuária diversificada, moderna, conectada às demandas globais, que contribuem para que o mundo volte os olhos para Mato Grosso do Sul e para sua capacidade de produzir e preservar”, destacou. 

Um dos destaques da programação foi a palestra do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que defendeu a agricultura tropical como uma das principais respostas aos desafios globais relacionados à segurança alimentar, produção de energia, mudanças climáticas e redução da desigualdade social.

“É aqui que temos a solução de quatro grandes problemas: alimento, energia, desigualdade social e clima. É nesse mundo tropical que a coisa vai evoluir. Alimento, energia renovável e terras raras dão ao país uma importância muito maior”, afirmou o  ex-ministro da Agricultura.

Segundo Rodrigues, o Brasil reúne condições únicas para liderar esse processo graças ao desenvolvimento tecnológico da agropecuária nacional, que permitiu ampliar significativamente a produção sem expandir a área cultivada na mesma proporção. O ex-ministro também destacou a matriz energética brasileira, baseada em fontes renováveis, e reforçou que a combinação entre tecnologia, produtividade e preservação ambiental posiciona o país como referência mundial em produção sustentável. 

Os debates ocorrem em um momento de expansão da economia sul-mato-grossense. Projeções da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul deverá atingir R$223,6 bilhões em 2025, com crescimento estimado de 6,8%. A agropecuária deve registrar expansão de 18,6%, a maior entre os estados brasileiros, enquanto o setor responde por cerca de 97,9 mil empregos formais, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da entidade mediou os painéis com representantes internacionais, promovendo o diálogo com adidos de diversos países e contribuindo para aproximar o setor agropecuário brasileiro dos mercados globais.

Como uma das principais especialistas em comércio internacional do agronegócio brasileiro, Sueme Mori, analisou os desafios e as oportunidades diante das mudanças na política de segurança alimentar da China. “O país continuará sendo um mercado estratégico para o Brasil. A questão não é vender menos para os chineses, mas ampliar nossa presença nesse mercado e, ao mesmo tempo, abrir novos destinos para uma pauta exportadora que reflita toda a diversidade da agropecuária brasileira”, avaliou. 

Ao longo da programação, especialistas brasileiros e internacionais discutiram temas estratégicos para a competitividade da agropecuária, como o Acordo Mercosul-União Europeia, a Rota Bioceânica, biocombustíveis, comércio internacional, logística, pecuária, soja e inovação. 

Nesse contexto, Mato Grosso do Sul foi apresentado como um dos estados mais estratégicos para a expansão do agro brasileiro. Além de ser referência na produção de carne, grãos, celulose e bioenergia, o Estado integra a Rota Bioceânica, corredor logístico que poderá reduzir em até duas semanas o tempo de transporte de produtos destinados aos mercados asiáticos. Também foi destacado o Sistema Plantio Direto, modelo que alia ganhos de produtividade à conservação dos recursos naturais.

O governador Eduardo Riedel destacou a importância da agropecuária brasileira para o abastecimento mundial e os desafios impostos pelas transformações do mercado internacional. “Nossa grande tarefa é mostrar aos mercados globais não só a excelência de produção mas a de garantia de preservação do trabalho decente, da responsabilidade que o produtor tem tido com a sua área. Para isso, a gente precisa participar das mesas de negociações a todo momento”, disse Riedel, em seu discurso na abertura do Fórum.

FIAP 2026

O FIAP 2026 promoveu 11 painéis temáticos com especialistas nacionais e internacionais e a entrega do prêmio Personagem Soja Brasil, uma das principais homenagens do agronegócio nacional.

O caráter internacional do evento foi reforçado pela presença de representantes da União Europeia, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), da ApexBrasil, da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Embrapa, Fundação Getulio Vargas (FGV), JBS, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Aprosoja Brasil, União Nacional do Etanol de Milho  (Unem) e de delegações da França, Espanha, Portugal, Indonésia, Bangladesh, Nova Zelândia, México, Costa Rica, Peru, Argentina, Chile e Paraguai.

O evento conta com parceria da ApexBrasil e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além do apoio da Friboi,  Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes  (ABIEC), Governo de Mato Grosso do Sul, Senar/MS e Sebrae/MS.

Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul –  Evelyn Thamaris

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