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O papel da Ouvidoria na proteção da vida policial

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo foi criada em 1996 pelo então governador Mario Covas. Ela nasceu de uma iniciativa da sociedade civil, sendo um órgão independente do governo que recebe reclamações, elogios e sugestões sobre a atuação da Polícia Civil, Militar e Técnico-Científica. A Ouvidoria encaminha as demandas e acompanha a apuração.

Porém, além de ouvir a população, ela também pode ter o papel de proteção aos policiais, cuja profissão envolve pressão exagerada, desgaste emocional e, muitas vezes, assédio moral, psicológico e sexual. Infelizmente, muitos chegam a cometer o ato extremo de tirar a própria vida.

Diante dessa realidade, o então ouvidor à época, Benedito Mariano, elaborou um importante material que até hoje segue como fonte de consulta para ajudar no estudo do que leva policiais a cometerem suicídio. O material foi desenvolvido em parceria com o Conselho Federal e o Conselho Estadual de Psicologia em 2019 e chama-se “Uma análise crítica sobre o suicídio policial”.

Esse estudo traz entrevistas com colegas de trabalho e familiares de policiais que tiraram suas próprias vidas e mostra como esses profissionais deram sinais que muitas vezes não foram percebidos. Também aponta fatores como excesso de trabalho, dívidas e o consumo de álcool como elementos que podem levar esses profissionais ao desespero. É um material riquíssimo como fonte de consulta. Porém, desde 2019 não tivemos uma nova versão desse material tão necessário para a categoria.

Aproveitei a oportunidade da homenagem da Comissão de Direitos Humanos da ALESP aos 30 anos da Ouvidoria e pedi, juntamente com a deputada Marcia Lia, que é presidente da comissão, que esse material seja atualizado. O suicídio entre policiais vem crescendo de forma assustadora e precisamos estudar as causas e ajudar esses profissionais. Formalizamos o pedido ao ouvidor Mauro Caseli, que prontamente se dispôs a ouvir e estudar a possibilidade de produzir uma nova edição.

Muitos se esquecem, mas policiais também sofrem e têm um coração por trás da aparência firme e forte. São pais, mães, filhos, irmãos e amigos. Quando tiram suas vidas, deixam familiares dilacerados e filhos órfãos, muitas vezes entregues à própria sorte para viver uma vida marcada pela dor e pelo sofrimento.

Sandra Campos conhece bem a dor e a transformação que podem nascer do sofrimento. Há dois anos, perdeu seu filho de 24 anos para o suicídio. Desde então, decidiu transformar essa dor em propósito e passou a atuar como ativista pela vida por meio do projeto “Não te julgo, te ajudo!”.

Hoje, Sandra se coloca à disposição para ouvir gratuitamente pessoas que estejam em sofrimento emocional, oferecendo acolhimento, escuta e humanidade a quem mais precisa.

Celular: (11) 94813-7799

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