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Protesto de Caminhões Agita o Rio: Entulho nas Ruas e a Pressão de CSI e Unientulho pela Solução

Mais de 50 caminhões-caçamba bloqueiam vias do Rio em manifestação que forçou a Comlurb a sentar à mesa e discutir o descarte adequado de resíduos da construção civil

Rio de Janeiro – A cidade maravilhosa ganhou um capítulo digno de repercussão internacional na segunda-feira, 28 de abril de 2025. Dezenas de caminhões-caçamba, estampando os adesivos do Movimento Combustível Sem Imposto (CSI), cortaram bairros inteiros do Rio em uma mega carreata organizada em parceria com a Unientulho – o Sindicato dos Coletores de Entulho do Rio de Janeiro – em um ato histórico que gerou repercussão em todas as rádios da capital e paralisou o trânsito em diversos pontos da cidade.

Com saída no tradicional Mercado São Sebastião, na Penha, e destino final na orla de Copacabana, a manifestação atravessou o coração do Rio e levou à população um problema crônico e ignorado pelo poder público: a ausência de local adequado para o descarte de resíduos sólidos de obras civis. O Rio de Janeiro, com todo o seu gigantismo urbano, ainda não oferece uma solução definitiva para o despejo regular de entulho, o que compromete o meio ambiente, a mobilidade urbana e o trabalho de centenas de profissionais da limpeza pesada.

Diferentemente do protesto realizado em 2024 – também em parceria com o CSI – que se dirigiu à Prefeitura sem retorno concreto, desta vez o impacto foi incontestável. A carreata chegou até a sede da Comlurb, onde os representantes do sindicato foram finalmente recebidos. O recado foi claro: ou há solução imediata, ou a cidade continuará ouvindo o ronco dos motores e as buzinas da indignação.

O protagonista da manifestação foi Alexandre do Nascimento, líder carismático do CSI, escolhido como orador oficial no carro de som durante todo o trajeto. Com voz firme e palavras certeiras, Alexandre ecoou não só as reivindicações dos trabalhadores da Unientulho, como também as bandeiras do Movimento Combustível Sem Imposto, que luta por mais justiça tributária no setor e melhores condições para os profissionais da cadeia logística brasileira.

“É inadmissível que em pleno 2025 o trabalhador que constrói e limpa essa cidade não tenha onde jogar o entulho com dignidade. Não é só uma questão ambiental – é uma questão social, é respeito com quem move o Brasil!”, declarou Alexandre

O evento não passou despercebido. Com mais de 50 caminhões-caçamba alinhados em fila indiana, o protesto alterou a rotina dos cariocas e ganhou espaço em emissoras de rádio e redes sociais. Foi uma demonstração contundente de união e resistência de categorias que, historicamente, operam nas sombras da invisibilidade.

A movimentação foi considerada pacífica e estratégica. Mesmo com o trânsito congestionado em alguns trechos da cidade, como no Centro e em Botafogo, a Polícia Militar acompanhou de forma preventiva e sem confrontos.

Agora, com a porta finalmente aberta na Comlurb, a expectativa é que o pleito da Unientulho avance nas esferas competentes e que o Rio de Janeiro, enfim, ofereça uma solução definitiva para um problema urbano que já passou da hora de ser resolvido.

Se depender do CSI e da Unientulho, os motores não vão parar enquanto a voz dos trabalhadores não for ouvida.

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