Ícone do site GRITO MS

Victor trocou a cidade pelo campo e deu vida ao sonho que começou com o pai

Em Jaraguari, produtor fez do “Rancho Chão Parado” o sustento da família e hoje trabalha ao lado dos filhos com apoio da ATeG do Senar/MS

O sonho começou com o pai de Victor da Silva Machado, que queria ter seu próprio pedaço de terra. Anos depois, foi Victor quem decidiu dar continuidade a essa história. Deixou a cidade, mudou-se com a família para a propriedade herdada em Jaraguari e recomeçou praticamente do zero, em um lugar que ainda não tinha água nem energia elétrica. Com trabalho, o apoio dos filhos e a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/MS, o Rancho Chão Parado se transformou em lar, fonte de renda e, agora, em um legado que passa de uma geração para outra.

“Vir pra cá foi até uma proteção porque a gente vê tanta dificuldade na cidade dos pais com os filhos devido ao fluxo de gente e amizades. Já aqui não, os meninos tiveram uma infância saudável, brincaram bastante, aprenderam a plantar na horta, cuidar das plantas e ajudavam a cuidar dos porcos”.

Quem chegou primeiro à propriedade foi o pai dele, trabalhador rural que sempre sonhou em ter sua própria terra e se mudou para o assentamento. Porém, a descoberta de um câncer mudou os planos da família e o sonho só foi vivido por um ano. Após o falecimento do pai, Victor decidiu se mudar para o campo para dar  continuidade ao rancho e honrar a memória do pai. Acostumado com o ritmo agitado da cidade, teve dificuldades no início da lida rural, mas, mesmo assim, levou a esposa e os filhos e construiu do zero a propriedade.

“Aqui se chama Rancho Chão Parado porque toda vez que a gente vinha visitar o meu pai, eu perguntava como estava e ele dizia: ‘aqui não tem movimento, tudo parado, é um chão parado’. Nosso começo não foi fácil, a gente tinha outro ritmo de vida e aqui não tinha água e nem luz, ao longo dos anos é que foram melhorando as coisas”, explica.

Na época, dois de seus três filhos se mudaram para o sítio e cresceram acompanhando o pai na rotina do campo. Apesar dos obstáculos, foi morando no rancho que Victor reconheceu a importância de criar os filhos em um ambiente rodeado pela natureza e que mostrasse o verdadeiro valor do trabalho rural.“Tenho bastante orgulho deles, foram criados na honestidade e são generosos, ensinamos a compartilharem o que eles têm”. 

O filho mais novo do produtor, João Victor Pereira Machado, conta que, com a vivência na roça, se tornou uma pessoa mais calma e aprendeu logo cedo sobre a importância de ter comprometimento com as atividades e ajudar o pai.

“Minha rotina diária aqui é cuidar dos bichos, das plantas, fazer cercas e manutenções em alguma parte da casa. Eu cresci ouvindo os conselhos do meu pai e isso me ajudou a crescer como homem. Hoje eu sou firme com as minhas responsabilidades, me tornei um homem de palavra”, afirma. 

Do zero a produções de sucesso

Com o passar dos anos, o rancho, que não tinha nenhuma estrutura, foi se tornando o lar da família e passou a ser a principal fonte de renda também. O produtor criou uma horta na propriedade e buscou a ATeG do Senar/MS para otimizar o cultivo e fazer o planejamento das plantações.

Eu não tinha experiência e o Senar/MS veio na hora certa. Eu tinha um plantio de tomate-cereja e a técnica me ensinou a fazer o controle de pragas. Quando eu percebi, tínhamos habilidades para trabalhar com as hortaliças e tudo o que temos na propriedade”, conta.

Conforme Victor foi aprendendo sobre o plantio, os filhos foram acompanhando a evolução das verduras e começaram a trabalhar com o pai na horta. O produtor também passou a investir na criação de animais e chegaram às Assistências em Piscicultura e Ovinocultura. “Hoje é o nosso carro-forte, nosso trabalho. O sustento a gente tira do que temos na chácara, como o peixe, carneiro e hortaliças, mas tudo isso devido ao Senar/MS”, destaca. 

Victor ressalta que o apoio dos filhos foi fundamental para aumentar as produções e continuar crescendo no sítio. “Eu tive muita ajuda aqui. Minha filha, antes de casar, cuidava da horta e plantava melancia e abóbora. O João, quando chegava da escola, já tinha os afazeres também. Sem dúvidas eles fizeram uma diferença muito grande”.

O legado do pai para os filhos

Para o filho João, seguir os passos do pai no rancho é uma forma de expressar toda a admiração que sente pelo produtor e continuar o trabalho de quem ensinou tudo o que ele sabe. “Meu pai é o cara, é o melhor de todos. Ele é amoroso, firme quando precisa ser e responsável. Eu amo ele, para mim não precisa de uma data como essa para amar ele, qualquer dia é Dia dos Pais.”

Hoje, pai e filhos trabalham lado a lado no sítio e juntos têm aumentado a produção de carneiros, peixes e hortaliças no Chão Parado. O produtor Victor comemora o Dia dos Pais honrando o sonho de seu falecido pai e com a certeza de que deixará um legado para as próximas gerações.“Sou muito grato a Deus pelos meus filhos, só tenho a dizer que amo muito eles e é uma alegria imensa ter eles aqui ao meu lado. Eu e minha esposa ficamos tranquilos porque sei que eles vão dar continuidade”, finaliza.

Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul – Ana Carla Souza* e Michael Franco 
*Estagiária sob supervisão de Michael Franco 

Sair da versão mobile