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Campo Grande

Virou um tapete: obra na “rua com dois nomes” é elogiada por comerciantes

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Tendo o asfalto revitalizado e as calçadas modernizadas, a Rua Cândido Mariano e Marechal Rondon, que integram a mesma Rua no Centro de Campo Grande (MS), ganha novos ares e elogios dos usuários mais frequentes do local. “Eu lembro da época que isso aqui era um paralelepípedo. Estamos aqui há mais de 40 anos, isso aqui agora, desse jeito virou um tapete, uma Campo Grande do futuro, uma maravilha”, destacou o comerciante Gilcemar José Gonçalves, de 58 anos, dono de um móveis usados.

A rua que abriga a única obra projetada por Oscar Niemeyer na Capital – a Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado, localizada no numeral 451 – Bairro Amambaí, inaugurada em 26 de agosto de 1954, está recebendo o recapeamento integral.

Alguns comerciantes ficaram receosos de conversar com a reportagem, outros já se adiantaram em dizer que “se não quebrarem, será uma obra marcante” da gestão de Marquinhos Trad (PSD).

A Rua em questão leva o nome do mato-grossense que atuou na implantação das linhas telegráficas no Estado, o Marechal Cândido Mariano Rondon. A rua foi rebatizada com esse nome em 1909, antes disso, se chamava Rua Y-Juca Pirama: em homenagem ao major aviador Y-Juca Pirama de Almeida, militar da Força Aérea Brasileira. 

Rondon nasceu no dia 5 de maio de 1865, no distrito de Mimoso, que faz parte da cidade de Santo Antônio de Leverger, no atual estado do Mato Grosso. Ele era filho de um vaqueiro pantaneiro, chamado Cândido Mariano da Silva e de Claudina Lucas Evangelista, uma mulher descendente de indígenas bororo e terena. O primeiro nome “Marechal” se refere a um título militar conquistado aos 90 anos. Rondon foi um dos maiores exploradores e sertanistas que em sua época lutou pela preservação dos povos indígenas.

O estado brasileiro de Rondônia foi nomeado em homenagem a ele em 1956. Isso porque lá é território dos Guaporé que foi transformado efetivamente em estado em 1981.

O trabalho de Rondon foi reconhecido por nomes marcantes, como Albert Einstein e Claude Lévi-Strauss. Ele foi indicado por muitos como merecedor de um Nobel da Paz (não foi vencedor desse prêmio) e ganhou, em 1918, a Medalha Centenário de David Livingstone, uma premiação dada pela Sociedade Geográfica Americana para personalidades que realizam trabalhos notáveis para o desenvolvimento da geografia no Hemisfério Sul.Asfalto na Rua Marechal Rondon, quase no cruzamento com a Avenida Noroeste. Foto: Tero QueirozAsfalto na Rua Marechal Rondon, quase no cruzamento com a Avenida Noroeste. Foto: Tero Queiroz

A Rua que leva o nome desse personagem histórico de peso está sendo revitalizada inserida na programação do Reviva Centro. O secretário de obras, Rudi Fiorese, explicou ao MS Notícias qual o tamanho deste empreendimento.  “Investimentos da ordem de 80 milhões no quadrilátero formado pela Av. Mato Grosso, Av. Fernando Corrêa da Costa, Rua José Antônio e Calógeras. Fora deste quadrilátero temos Cândido Mariano em toda sua extensão e Rua Dom Aquino e Barão do Rio Branco do Antigo Terminal Rodoviário até a Rua 25 de Dezembro”, detalhou.Toda a calçada a margem da Marechal Rondon está sendo revitalizada. Foto: Tero Queiroz.  Toda a calçada a margem da Marechal Rondon está sendo revitalizada. Foto: Tero Queiroz.  

O que está sendo visto na Cândido Mariano em andamento e que vem sendo elogiado, explica Rudi, que serão feitas também nas demais ruas citadas. Além de novos passeios, recapeamento, melhoria na iluminação pública e mobiliário urbano, são as metas das intervenções.A qualidade do asfalto tem agradado os usuário, que voltaram a frequenter a Rua como canal para acesso ao Centro. Foto: Tero QueirozA qualidade do asfalto tem agradado os usuário, que voltaram a frequenter a Rua como canal para acesso ao Centro. Foto: Tero Queiroz

Descendo mais um pouco a Cândido Mariano, a reportagem parou no Matucho, uma das mais tradicionais lojas de peças localizada na Rua. O gerente do local, Henrique Freitas, de 34 anos, engrossou o coro de elogios à obra. “Logo de início os comerciantes tomaram um pouco de susto. Tinham dias que a via era fechada e não tinha aviso prévio nem nada, mas ao longo do prazo a gente foi vendo que as melhorias vieram, as calçadas foram todas renovadas, antes era aquela calçada mais antiga, desnivelada e a gente tem cliente especial que vem aqui na loja e essa calçada mudou tudo, os clientes são melhor atendidos”, comentou.Henrique Freitas, de 34 anos. Foto: Tero QueirozHenrique Freitas, de 34 anos. Foto: Tero Queiroz

O gerente ainda celebrou a renovação do ambiente ao redor. “Foi ótimo, não só o asfalto, como também as calçadas, creio eu que ao final haverá a completa sinalização porque o pessoal agora, com esse asfalto anda esticado [alta velocidade]. Antes estava meio abandonado, por ser próximo a Rodoviária Velha. Agora vai ficar tudo novo, o espaço, com essa reforma dá para manter as calçadas limpas. Tinha um pessoal que fazia rota de desvio dessa via, mas agora com essa revitalização trouxe de volta os clientes, eles passando por aqui é um possível cliente”, opinou.Gerente pediu que prefeitura crie calendário de obras para comunicar interdições aos comerciantes. Foto: Tero QueirozGerente pediu que prefeitura crie calendário de obras para comunicar interdições aos comerciantes. Foto: Tero Queiroz

Henrique disse ao MS Notícias que ele trabalha há 8 anos no Matucho e desde que está lá não havia uma obra com tal dimensão na pista. A loja deles emprega 13 funcionários e a expectativa é que precisem contratar mais pessoal, pois a demanda já aumentou.

A maioria dos estabelecimentos ao longo da Rua Cândido Mariano são comércios. E destacam-se os pontos de vendas de móveis usados.Manoel Gonçalves Neto,  de 85 anos. Foto: Tero QueirozManoel Gonçalves Neto,  de 85 anos. Foto: Tero Queiroz

Gilcemar José Gonçalves, herdou o empreendimento do pai Manoel Gonçalves Neto,  de 85 anos. Ele diz que acredita que há 40 anos não via tamanha modificação na Rua em frente ao comércio da família. “Se brincar tem uns 40 anos que eles não revitalizam isso de fato. A gente tem esse comércio e moramos aqui no fundo. Estou gostando demais dessa ação da prefeitura aqui. A calçada então, ficou lindo, lindo demais é o progresso, ajuda para os cadeirantes, o pessoal que não tem visão. Eu acho que eles vão sinalizar isso aqui. Vai mudar todo o sistema aqui. Com certeza vai ter a sinalização. Eu gostei demais desse trabalho aqui”, disse. Para o comerciante o asfalto ficou “de primeira”. “Antes vinham remendando, agora não, ficou demais. Se não vier fizer buraco aí, isso aí vai durar”, comentou.Gilcemar explica a questão de a rua ter “dois nomes”. Foto: Tero Queiroz

Conhecedor da Rua, Gilcelmo explicou o porquê a “rua tem 2 nomes”. “Nome dela é Marechal Cândido Mariano Rondon, eles usaram Marechal Rondon até a Calógeras, de lá em diante é Cândido Mariano. O pessoal confunde. Têm nego que chega: onde fica a Cândido Mariano? Eu digo que é essa aqui, mas eles falam que não é, aí que a gente explica…”. Conforme o comerciante, já faz 30 anos que existe essa nomeação dupla da via.Célio Brito de Oliveira, de 50 anos. Foto: Tero QueirozCélio Brito de Oliveira, de 50 anos. Foto: Tero Queiroz

A reportagem foi até a Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado, para ver a magnífica obra de Oscar Niemeyer e como teria ficado o asfalto em frente a escola. Ao chegar ao local, porém, nenhum asfalto havia sido feito no trecho. O dono de uma refrigeração, Célio Brito de Oliveira, de 50 anos, disse que “pularam o trecho asfáltico em frente ao seu comércio”, em razão da chuva ele vem sofrendo com alagamento do seu comércio. “Nossa quadra, o asfalto não fizeram. Ficaram de retornar dia 7, hoje 12, e estamos largadão aqui”, introduziu ele. “A maior preocupação é água, esses dias entrou na loja aqui, 40cm, e a chuva está prometendo e, essa quadra aqui vira um mar! Essa última chuva tive prejuízo e banquei sozinho”, lamentou o comerciante que está há 32 anos no local.Célio mostra rampa feita com sua solicitação. Foto: Tero QueirozCélio mostra rampa feita com sua solicitação. Foto: Tero Queiroz

Em frente a refrigeração dele apenas foram feitas as calçadas que ainda dependem do acabamento. Procuramos Rudi Fiorese para perguntar o porquê a quadra de Célio foi “pulada”. O secretário disse que o trecho em questão tem um problema de drenagem que será resolvido para depois ser recapeado.

Célio foi mais um comerciante que reclamou da falta de comunicação da prefeitura. “Para mim não avisaram nada. Não fiquei sabendo de nenhum comerciante que teve essa informação de quando vão acabar isso aqui”, concluiu.

Rudi garantiu, porém, que a secretaria tem uma equipe de faz a comunicação com os comerciantes avisando das interdições. Quando informado que os comerciantes disseram não estarem sendo comunicados de nada, o secretário respondeu que vai falar com o pessoal. 

A interdição de calçada da Cândido Mariano está acontecendo da Rua Arthur Jorge até a 25 de Dezembro.Trecho a partir a rua Arthur Jorge está parcialmente interditado. Foto: Tero Queiroz.  Trecho a partir a rua Arthur Jorge está parcialmente interditado. Foto: Tero Queiroz.  

A expectativa dos comerciantes é de quando a obra será finalizada. O secretário de obras diz que a entrega da obra acontece em agosto deste ano.

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