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Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas comemora resistência histórica

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Com a terceira maior população indígena do Brasil, Mato Grosso do Sul tem trabalhado na criação e adoção de políticas públicas para auxiliar os cuidados aos povos originários do Estado. União e resistência são lemas consagrados pelos povos indígenas em Mato Grosso do Sul e almejam dar voz a sua luta com representantes ocupando espaços dentro do Poder Público brasileiro. O dia Nacional de lutas dos povos indígenas, instituído pela Lei n° 11.696, de 2008.Uma conquista dos movimentos sociais e de direitos humanos de grupos minoritários. O dia rememora o falecimento de Sepé Tiaraju, índigena guarani, que foi uma das lideranças indígenas de uma das muitas revoltas contra portugueses e espanhóis, ocorrida em 1756, contra as determinações do Tratado de Madrid, que redesenhou as fronteiras das Américas Portuguesa e Espanhola.
Há 265 anos, o guarani mbya Djekupe Aju (ou Sepé Tiaraju, nome aportuguesado) proferiu uma frase que ficou cunhada na história dos mais de 300 povos originários que vivem hoje no Brasil: “Ko yvy ha jara”. Numa tradução não tão literal do guarani para o português, a frase significa “esta terra tem dono”, porque, segundo explica o antropólogo Iberê do Povo Guarani Mbya, “jara” não significa exatamente “dono”, mas sim “guardião”.
A data remete a conscientização e a importância dos debates ligados às pautas dos povos originários, tais como a luta pelo direito à terra e contra a destruição da natureza, assim como questões ligadas à saúde e a educação nas aldeias, além do reconhecimento dos saberes tradicionais, entre outros pontos. É uma data que marca a resistência, e traz a memória todas as lutas e perdas dos povos indígenas, como as batalhas desiguais contra a opressão, o saqueio de suas riquezas, suas terras, bem como os assassinatos de lideranças, jovens, velhos, crianças, homens e mulheres, além do genocídio étnico.
Os costumes e direitos dos Povos Indígenas estão expressamente reconhecidos pelo artigo 231 da Constituição Federal.
“São reconhecidos aos índigenas sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”.

Para a liderança indígena em contexto urbano, Nerio Kadoshi, comemoração é uma palavra que não se encaixa em meio a resistência dos originários neste dia Nacional de lutas dos povos indígenas. De origem Terena, Nerio acredita que a data simboliza a resistência dos ancestrais em meio a luta por respeito e igualdade em todos âmbitos da sociedade.

“Não temos uma data a se comemorar, o dia Nacional de lutas dos povos indígenas é para relembrar a nossa luta, a busca pelo que é nosso por direito e também como queremos mudar a visão da sociedade sobre nosso povo. Sentimos na pele o preconceito diariamente, mas estamos ganhando voz em espaços de poder e mostrando que estamos aqui, unidos cada vez mais”, disse Nerio.

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