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Gianni defende programa para reduzir custo do seguro rural em MS
Proposta prevê apoio estadual para complementar programa federal e ampliar proteção dos produtores contra seca, excesso de chuva e outras perdas climáticas
Com custos elevados, dificuldades de acesso ao crédito e riscos climáticos que podem comprometer uma safra inteira, a vice-prefeita de Dourados e candidata a deputada estadual Gianni Nogueira defende que Mato Grosso do Sul estruture um programa estadual para ajudar a reduzir o custo do seguro rural e ampliar a proteção dos produtores.
A proposta é complementar o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do Governo Federal, que paga parte do valor do seguro contratado. Pelas regras do Plano Trienal 2025-2027, a subvenção é de 20% para a soja. Nos Estados Unidos, onde o seguro agrícola é um dos pilares da política de proteção ao produtor, o governo federal subsidia cerca de 60% do custo das apólices, em média, e algumas modalidades chegam a 80%.
Gianni defende que o Estado também participe desse apoio, diminuindo a parcela que fica para o produtor.
O modelo já funciona em estados como São Paulo e Paraná, que mantêm programas próprios de ajuda ao pagamento do seguro rural. A ideia é adotar em Mato Grosso do Sul um mecanismo semelhante, adequado à realidade da produção local e dentro da disponibilidade orçamentária do Estado.
A proposta ganha importância diante das perdas enfrentadas no campo. Na safra 2024/2025, Dourados registrou produtividade média de 39,9 sacas de soja por hectare, abaixo da média estadual de 51,78 sacas. Para 2026/2027, o El Niño aumenta a atenção sobre o comportamento das chuvas e das temperaturas e reforça a necessidade de planejamento e proteção contra riscos climáticos.
Ao mesmo tempo, a cobertura do seguro rural recuou. Dados do Ministério da Agricultura mostram que a área segurada pelo PSR em Mato Grosso do Sul caiu de 787 mil hectares em 2022 para 628,2 mil hectares em 2023, redução de aproximadamente 20%.
Para Gianni, a combinação de perdas recentes, custos elevados, menor cobertura do seguro e incertezas climáticas mostra a necessidade de agir antes do prejuízo. A proposta é tornar o seguro mais acessível e dar ao produtor melhores condições para proteger o investimento feito na lavoura e continuar produzindo mesmo diante de uma adversidade climática.
R$ 5 mil por hectare
O debate ocorre em um momento de margens apertadas no campo. Estudo divulgado pela Aprosoja/MS mostra que o custo médio para produzir um hectare de soja na safra 2026/2027 é de R$ 5.024,82.
Considerando os valores utilizados no levantamento, o produtor precisa colher 42,04 sacas por hectare apenas para cobrir o custo total. A produtividade de referência utilizada pela entidade é de 52,4 sacas por hectare, correspondente à média das últimas cinco safras.
A situação é ainda mais delicada para quem produz em área arrendada. Considerando arrendamento médio de 15 sacas por hectare, o custo total estimado pela Aprosoja/MS sobe para R$ 6.817,62 por hectare e o ponto de equilíbrio chega a 57,04 sacas por hectare.
Na prática, uma redução de produtividade provocada pelo clima, somada à oscilação do preço da soja ou ao aumento dos custos, pode comprometer o resultado da propriedade.
Crédito também preocupa.
Outro sinal de alerta vem do endividamento. Levantamento da Aprosoja/MS, elaborado a partir de dados do Banco Central, mostra que a parcela do crédito rural classificada em “situação problemática” no Estado passou de 13,9% do total contratado, em janeiro de 2025, para 27,6% em junho de 2026. No mesmo período, a participação dos créditos em atraso passou de 4,9% para 12,6%.
Para Gianni, esse cenário reforça a necessidade de políticas de prevenção. A defesa é de que o seguro rural seja tratado também como instrumento para proteger a capacidade de o produtor continuar investindo e produzindo depois de uma adversidade climática.
Mato Grosso do Sul já utiliza o seguro subsidiado pelo Governo Federal. Durante a forte estiagem da safra 2021/2022, por exemplo, dados divulgados pelo Governo do Estado apontavam 6.611 apólices ativas do PSR e do Proagro em MS, representando R$ 4,196 bilhões. Naquele momento, 902 apólices já haviam sido acionadas em razão das perdas, somando R$ 104,83 milhões.
Apoio estadual
A proposta defendida por Gianni não substitui o programa federal. A intenção é criar uma camada adicional de proteção, ajudando a reduzir a parcela do seguro que permanece sob responsabilidade do produtor.
Mato Grosso do Sul já registrou, em planejamentos orçamentários de anos anteriores, ações relacionadas à participação estadual na subvenção ao seguro rural. No PPA 2012-2015, por exemplo, havia ação específica denominada “Subvenção ao Seguro Rural”, com previsão de recursos para promover o acesso por meio da subvenção do prêmio.
O PPA 2016-2019 também registrou iniciativa de participação na subvenção.
A proposta de Gianni é fazer com que esse apoio seja estruturado como uma política estadual efetiva e complementar ao programa federal, com regras claras, orçamento e foco na ampliação do acesso dos produtores à proteção.
A medida também integra uma defesa mais ampla de melhores condições para quem produz, incluindo maior previsibilidade das políticas públicas, acesso ao crédito e segurança jurídica para os investimentos realizados no campo.
Para Gianni, proteger a produção significa também proteger empregos, renda e toda a cadeia econômica que depende do agronegócio em Mato Grosso do Sul.
“O produtor não quer que o Estado pague sua produção. Ele quer condições para proteger aquilo que construiu com trabalho e investimento. Quando protegemos quem produz, estamos protegendo também a economia dos nossos municípios e de Mato Grosso do Sul”, conclui.
Economia
Segundo boletim da Semadesc baseado em dados do IBGE, a produção agrícola total de Mato Grosso do Sul chegou a 84,87 milhões de toneladas em 2025, considerando uma área colhida de 7,61 milhões de hectares. O volume produzido cresceu 15,53% em relação a 2024.
A força do campo também chega ao mercado internacional. Mato Grosso do Sul atingiu o recorde de US$ 10,7 bilhões em exportações em 2025.
A soja respondeu por cerca de 22% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior, enquanto a carne bovina representou aproximadamente 17%. Segundo a Semadesc, essas cadeias estão entre as bases das exportações estaduais e possuem impacto na geração de renda, empregos e divisas.
O Valor Bruto da Produção Agropecuária reforça essa dimensão econômica. Em levantamento do Ministério da Agricultura publicado em abril deste ano, Mato Grosso do Sul aparecia como o sétimo maior VBP do país, com projeção de R$ 82,77 bilhões em 2026.
Para Gianni, esses números ajudam a mostrar por que uma política de proteção da produção rural não deve ser vista apenas como benefício ao produtor. Uma quebra de safra reduz a renda que circula nos municípios e alcança diferentes atividades ligadas direta ou indiretamente ao campo.
“Quando o produtor tem uma boa safra, o dinheiro não fica dentro da porteira. Ele movimenta transportadoras, oficinas, comércio, empresas de máquinas e insumos, empregos e toda uma cadeia. Por isso, ajudar o produtor a proteger sua produção é também uma forma de proteger a economia de Mato Grosso do Sul”, destaca Gianni.

