Carga de nitrato de amônio chegou a Beirute em navio russo em 2013

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on pocket
Pocket
Share on whatsapp
WhatsApp

Enquanto a investigação sobre as origens da explosão devastadora em Beirute continua, as autoridades do país apontaram para uma possível causa: um carregamento maciço de fertilizantes agrícolas teria sido armazenado no porto de Beirute sem precauções de segurança por anos – apesar dos avisos das autoridades locais.

Documentos recentemente obtidos pela CNN revelam que um carregamento de 2.750 toneladas de nitrato de amônio chegou a Beirute em um navio de propriedade russa em 2013. O navio, chamado MV Rhosus, estava destinado a Moçambique – mas parou em Beirute devido a dificuldades financeiras, o que também criou distúrbios com a tripulação russa e ucraniana do navio.

Após chegar, o navio nunca deixou o porto de Beirute, segundo o diretor de alfândega do Líbano, Badri Daher, apesar dos avisos repetidos por ele e outros de que a carga era o equivalente a “uma bomba flutuante”.

“Devido ao extremo perigo apresentado por esses itens armazenados em condições climáticas inadequadas, reiteramos nosso pedido às autoridades portuárias de reexportar as mercadorias imediatamente para manter a segurança do porto e dos que trabalham nele”, disse o antecessor de Daher, Chafic Merhi, em uma carta de 2016 dirigida a um juiz envolvido no caso.

As autoridades libanesas não identificaram nominalmente o MV Rhosus como a fonte da substância que explodiu em Beirute na terça-feira, mas o primeiro-ministro Hassan Diab disse que a explosão devastadora foi causada por 2.750 toneladas de nitrato de amônio. Ele acrescentou que a substância foi armazenada por seis anos no armazém portuário sem medidas de segurança, “colocando em risco a segurança dos cidadãos”.

O chefe de segurança geral do Líbano também disse que um “material altamente explosivo” havia sido confiscado anos antes e armazenado no armazém, que fica a poucos minutos a pé dos bairros de compras e vida noturna de Beirute. A enorme explosão de terça-feira, que abalou a capital, deixou pelo menos 135 mortos e 5.000 feridos.

Na quarta-feira, o ministro da Informação do Líbano, Manal Abdel Samad Najd, disse que existem documentos de 2014 comprovando a existência de uma troca de informações sobre o “material” confiscado pelas autoridades libanesas.  Ela disse ao canal estatal da Jordânia Al Mamlaka que é considerada uma possível relação com a explosão mortal de Beirute.

Questionada em uma entrevista por telefone se existem descobertas iniciais nas investigações relacionadas à causa da explosão, ela disse: “não há resultados ou esclarecimentos preliminares”.


‘Bomba flutuante’


Em 2013, o MV Rhosus partiu de Batumi, na Geórgia, com destino a Moçambique, de acordo com o percurso da embarcação e a conta do seu capitão Boris Prokoshev.

Carregava 2.750 toneladas de nitrato de amônio, um produto químico industrial comumente usado em todo o mundo como fertilizante – e em explosivos para mineração.

O navio de bandeira da Moldávia parou na Grécia para reabastecer. Foi quando o proprietário do navio disse aos marinheiros russos e ucranianos que ele havia ficado sem dinheiro e eles precisariam pegar carga adicional para cobrir os custos de viagem – o que os levou a um desvio para Beirute.

O navio era de propriedade de uma empresa chamada Teto Shipping, que membros da tripulação disseram pertencer a Igor Grechushkin, um empresário de Khabarovsk que residia em Chipre.

Uma vez em Beirute, o MV Rhosus foi detido pelas autoridades portuárias locais devido a “violações graves na operação de um navio”, taxas não pagas ao porto e reclamações registradas pela tripulação russa e ucraniana, de acordo com a União de Marítimos da Rússia (afiliada com a Federação Internacional de Trabalhadores em Transportes, ou ITF), que representava os marinheiros russos.

E a embarcação nunca retomou sua jornada.

Os marinheiros estavam no navio há 11 meses com poucos suprimentos, de acordo com Prokoshev. “Escrevia para Putin todos os dias. Eventualmente, tivemos que vender o combustível e usar o dinheiro para contratar um advogado, porque não havia ajuda; o proprietário nem sequer nos forneceu comida ou água”, disse Prokoshev em entrevista à rádio Eco Moscou na quarta-feira.

Acabariam por abandonar o navio. “Segundo nossas informações, a tripulação russa foi repatriada para sua terra natal e os salários não foram pagos”, disse o sindicato à CNN.

“Na época, a bordo do navio de carga seca havia mercadorias particularmente perigosas – nitrato de amônio, que as autoridades portuárias de Beirute não permitiram descarregar ou transferir para outro navio”, acrescentou.

Em 2014, Mikhail Voytenko, que administra uma publicação on-line que rastreia a atividade marítima, descreveu o navio como uma “bomba flutuante”. A CNN fez várias tentativas frustradas de entrar em contato com Grechushkin em um número de telefone do Chipre.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest
Share on pocket
Pocket
Share on whatsapp
WhatsApp

Never miss any important news. Subscribe to our newsletter.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Recentes no Site

Prefeitura de Campo Grande