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Em Anhanduí, vereadores debatem medidas para proteger barracas às margens de rodovia

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A permanência dos comerciantes nas barracas situadas no entorno da rodovia BR-163, no Distrito de Anhanduí, em Campo Grande, foi debatida em Audiência Pública promovida pela Câmara Municipal, na manhã desta quarta-feira, dia 25. O debate aconteceu no ginásio de esportes de uma escola do distrito, reunindo vários moradores e comerciantes. Uma das medidas adotadas pela Casa de Leis será a votação de projeto que prevê o tombamento histórico das barracas tradicionais, impedindo assim que sejam demolidas ou alteradas, garantindo a preservação.

A Audiência foi proposta e presidida pelo vereador André Salineiro, autor do Projeto de Lei 12.252/25, que prevê o tombamento histórico, reconhecendo as barracas como bem cultural de relevante interesse histórico, social, econômico e cultural. A proposta prevê que as intervenções, reformas, ampliações, modificações estruturais ou remoções das barracas tombadas somente poderão ocorrer mediante prévia autorização do órgão municipal competente, observada a legislação cultural, urbanística e ambiental aplicável.

Na proposta, o autor justifica que as barracas representam “um marco cultural do Distrito de Anhanduí, sendo amplamente reconhecidas pela comercialização de produtos artesanais, doces caseiros, conservas, pimentas e demais gêneros produzidos por famílias locais, atividade que se consolidou como expressão legítima da cultura popular, da economia criativa e da memória coletiva da comunidade, integrando o modo de viver e de produzir característico da região”.

Durante a Audiência Pública, Salineiro reforçou que pedirá apoio dos demais vereadores para que o projeto seja votado com celeridade na Câmara Municipal. “Quanto mais pessoas nos ajudarem melhor”, reforçou. Ele acrescentou que no dia 11 de março deve ir a Brasília (DF) para tratar do Macro Anel de Campo Grande e também da questão específica do Distrito de Anhanduí.

A preocupação dos comerciantes é que as barracas sejam retiradas com as obras de duplicação da rodovia, a serem executadas pela Motiva Pantanal, antiga CCR MS Vias, que assumiu o contrato de concessão assinado junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no ano passado.

Comerciantes

Para Genivaldo Pedroso, presidente da Associação de Moradores do Distrito de Anhanduí, o debate é muito importante. “Fica um ‘diz que me disse’, que vão tirar, não vão tirar, né? E os proprietários de barracas estão muito preocupados com isso. Então, a gente quer saber a realidade sobre isso porque se tirar é um retrocesso, já que estamos aqui há muito tempo. Essas barracas são o ganha-pão de muita gente”, disse.

A venda de produtos às margens da BR-163 é o sustento de muitos moradores do Distrito de Anhanduí, como a comerciante Marluce Nantes, que trabalha há 20 anos em uma das barracas. “É o nosso sustento. Tem gente aqui há 30, 35 anos”, afirmou, relatando que não são apenas os comerciantes das barracas, mas também os vendedores de doces, pimenta, artesanato.  “Então, todos vão ficar sem ganhar. Não é só a gente da banca, é um ciclo, envolve um monte de gente. Ela avalia que se as barracas forem retiradas praticamente acaba o Distrito de Anhanduí, pois não há outras opções de trabalho. “Não vejo aqui sem as bancas”.

A preocupação com a segurança no Distrito, diante do aumento da velocidade na via com a duplicação, também foi abordada pelos comerciantes.  O produtor rural Sebastião Gomes lembrou que das barracas às margens da via vêm o pão de cada dia de cada família. “Tirando as barracas, aumentará o fluxo de carros e velocidade. Além de prejudicar as famílias, vai matar o povo de Anhanduí”, disse, alertando que muitos não terão a consciência de reduzir a velocidade.

A comerciante Claudete Soares da Silva considera que é inviável transferir os comerciantes para um ponto de vendas dentro do distrito, citando exemplo de ações semelhantes em outros municípios que não deram certo. “Vendemos para turistas. A pessoa quer parar o carro, comprar e ir embora. Estamos aqui há décadas. Tem barraca que passou de mãe para a filha. Temos direito de reivindicar patrimônio histórico, porque temos tempo para isso”, disse.

O vereador Professor Juari, que secretariou a Audiência, citou toda a extensão da BR-163 no Estado, que totaliza 845 km. “A Motiva Pantanal tinha que duplicar a rodovia e não mexer em Anhanduí. Se quer duplicar, tem mais de 80%. Por que está preocupada com os comerciantes? Tem espaço para duplicar”. Ele acrescentou que a retirada das barracas afetaria todo o Distrito, pois além dos comerciantes há produtores, como do leite para fazer os queijos ou das pimentas comercializadas. “Vamos colocar como patrimônio para impedir juridicamente que retirem os comerciantes daqui”.

Como trata-se de uma rodovia federal, a Audiência contou com a participação de representantes da bancada federal. Por vídeo, os deputados federais Beto Pereira, Rodolfo Nogueira e Luiz Ovando enviaram mensagem que foi exibida aos moradores, defendendo a discussão ampla sobre o assunto e declarando apoio aos comerciantes.

Pedágio – Além da questão da permanência das barracas, o vereador Junior Coringa criticou a cobrança de pedágio aos moradores do distrito que precisam se deslocar para outras regiões da cidade de Campo Grande. Ele relatou que já tramita na Casa de Leis projeto de sua autoria para que os moradores do distrito possam fazer um cadastro e ficarem isentos desse pagamento. “A CCR MS Via ilhou Anhanduí, fazendo com que o morador pague para ir a Campo Grande”. Ele também defende o tombamento. “Cultura e tradição não se negociam”, pontuou.

Elenilton Dutra, subprefeito do Distrito, citou que os moradores foram castigados pelo pedágio. “O empresário deixa de investir por conta disso. Supermercados, gás, tudo aqui é mais caro. Uma dificuldade imensa”, disse. Ele defendeu união de forças e citou outras melhorias necessárias, como asfalto e ampliação do horário do posto de saúde.

O vereador André Salineiro informou, durante a Audiência, que representante da concessionária Motiva esteve em seu gabinete e entregou documento informando que não iria participar da Audiência pois precisa de estudo preciso, técnico e definitivo sobre a questão. Todos os assuntos abordados na Audiência serão encaminhados para a concessionária em documento.

Milena Crestani
Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal  

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