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Equador: crise pode tirar definitivamente do papel projeto de articulação das polícias da América do Sul

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O “estado de conflito armado interno” imposto pelo crime organizado ao Equador pode fazer com que saia do papel um projeto caro ao Brasil de articulação da atuação e da Inteligência das polícias da América do Sul. O poder paralelo que se instalou no território equatoriano deixa mais claro do que nunca a necessidade de atuação conjunta entre os países da região.

Menor do que o estado de São Paulo, o Equador testemunhou o crescimento da força das organizações criminosas com a mudança na rota de facções ligadas ao narcotráfico que tentam escapar da vigilância, acirrada nos últimos anos, na fronteira de México e Estados Unidos e da política de combate ao narcotráfico colombiana.

– O conflito no Equador pode ser um catalisador para que essa atuação conjunta das polícias dos países da América do Sul finalmente comece a funcionar. Todos esses grupos criminosos, mesmos os menores, têm atuação internacional. Não adianta um país agir para fazer a contenção porque eles migram a rota para outro, esse combate só é eficaz se for articulado. E se isso acontecer, será importante também para o Brasil – ressalta Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV (FGV NPII).

O pesquisador lembra que os crimes nunca vêm sozinhos, que há sempre uma articulação, como já foi apontado na Amazônia, entre crimes como desmatamento, garimpo, pesca e caças ilegais com o narcotráfico.

– Quando se fala em narcotráfico, automaticamente, estamos falando de tráfico de armas, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, assassinatos. E a única forma de combater é as polícias agirem coordenadamente.

Na avaliação de Paz, ao apoiar o Equador para que saia dessa crise, o Brasil ainda reforça seu papel de liderança regional:

– O Equador não tem como sair dessa crise sozinho, não tem estrutura institucional, passa por uma crise além de política, econômica. Esses grupos cresceram de tamanho, potência e recursos. O Equador virou uma rota para o narcotráfico, com sua costa muito menos militarizada. Há uma fragilidade do governo, o que fica claro no grau de ousadia das organizações, inclusive com o assassinato de um candidato à Presidência no último ano.

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