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Motor espanhol de “1 tempo” promete alto desempenho em tamanho compacto
Imagine um motor 2.0 potente, estiloso, com boa autonomia, mas tudo isso pesando apenas 35 kg e sem gerar praticamente nenhuma vibração? A ideia parece absurda, já que o coração dos possantes hoje em dia costuma pesar em torno de 160 kg e chamar atenção justamente pelo ronco que faz tremer toda a lataria. Mas a INNengine, uma empresa espanhola de engenharia, quer provar aos céticos que isso é possível.
Fundada em 2011 pelo engenheiro mecânico Juan Garrido Requena, a companhia tem um foco claro em eficiência e em fazer do futuro o presente. É verdade que os caminhos da sustentabilidade têm apontado para a eletrificação dos automóveis, mas a substituição total dos motores a combustão interna ainda é uma realidade distante.
O ranking das vendas globais de automóveis de 2022, que inclui 78 países, revela que foram comercializados aproximadamente 81,5 milhões de carros no ano passado – a maioria ainda fazendo uso de motores que rodam com combustíveis tradicionais. E além de veículos, os motores a combustão interna também aparecem em geradores industriais, maquinário, barcos, aviões e muito mais. Portanto, a invenção dos espanhóis é das mais relevantes.
Como funciona?
Os apaixonados por mecânica vão se surpreender ao descobrirem que o e-Rex, nome dado ao primeiro protótipo desenvolvido pela INNengine, funciona sem bielas, cambota ou cabeçote com válvulas. Também causa estranheza à primeira vista o fato de ele ter oito pistões e quatro cilindros. A explicação para isso é que os pistões trabalham em lados opostos do mesmo cilindro, apoiados em uma superfície ondulada.
Enquanto motores à combustão funcionam em quatro tempos (admissão, compressão, combustão e escape) e precisam de duas revoluções da cambota para completar um ciclo, o e-Rex consegue finalizar um ciclo de combustão a cada meia revolução, por isso é chamado por Juan Requena de motor de “1 tempo”. Todo o sistema gera pouco atrito, o que reduz as chances de avarias e os custos com manutenção, além de melhorar o aproveitamento das forças geradas.
Com menos peças e mais fluidez na operação, o resultado final é um motor extremamente compacto, leve e que opera de maneira tão estática que os engenheiros chegaram a fazer um teste curioso: colocaram uma moeda de pé em cima do motor ligado e a observaram ficar parada no mesmo lugar.
Expectativas de mercado
Apesar de promissor, o inventor afirma que a ideia principal é de usar o seu motor como um complemento para motores elétricos. A INNengine já fez testes instalando o e-Rex em um Mazda MX-5 NB e chegou a levantar voo com o protótipo REX-B, instalado em um pequeno avião. Outro ramo de pesquisa busca unir o design do motor ao hidrogênio como combustível.
As possibilidades são muitas, já que a tecnologia espanhola atraiu desde a Fórmula 1 até a petrolífera estatal Saudi Aramco. O que é o certo é que o dia dos motores grandes, pesados e beberrões estão contados.





