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No CCI Vovó Ziza, alfabetização transforma a vida de idosos

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Aos 63 anos, a aposentada Genir Maria de Jesus comemora uma conquista que transformou sua rotina: aprender a ler. Frequentadora do Centro de Convivência do Idoso (CCI) Vovó Ziza, ela faz parte do grupo de idosos que têm encontrado, por meio das oficinas de alfabetização e de espanhol, mais autonomia, autoestima e qualidade de vida.

Por anos, o trajeto de volta para casa foi um desafio. Sem o domínio do alfabeto, Genir tinha dificuldade em identificar as linhas de ônibus e dependia da ajuda de outras pessoas, o que frequentemente a levava ao destino errado. “Mesmo com a ajuda das pessoas eu peguei muito ônibus errado”, recorda dona Genir.

Hoje, com o aprendizado retomado após uma infância dedicada ao trabalho na lavoura, ela não apenas consegue se orientar melhor, como também trilha um novo caminho de independência.

No CCI Vovó Ziza, as oficinas vão além do conteúdo pedagógico. Elas representam uma oportunidade para que idosos retomem estudos interrompidos e desenvolvam habilidades essenciais para o dia a dia.

As atividades são destinadas exclusivamente aos idosos já inscritos nas oficinas. Na alfabetização, o foco está na autonomia, com aulas organizadas conforme o nível de aprendizagem: a turma inicial se reúne às segundas e quartas-feiras, enquanto a turma avançada tem encontros às terças e quintas-feiras.

O ensino é individualizado, respeitando o tempo de cada aluno, já que muitos chegam em estágios diferentes de aprendizado. Segundo a professora Cristiane Bonfim, o objetivo central é garantir que o idoso tenha autonomia mínima para tarefas cotidianas, como assinar o nome ou ler uma notícia. “É uma sensação maravilhosa participar de uma transformação da vida de alguém. Quando pego uma pessoa que a vida inteira usou a digital e hoje vejo ela tendo a dignidade de assinar o próprio nome, sinto muito orgulho”, afirma a educadora.

A turma atual, com 17 alunos, deve encerrar o ciclo no meio deste ano com uma formatura simbólica, marcando a conquista da escrita e da leitura básica.

A história de dona Genir reflete esse processo. Frequentadora do centro há mais de dez anos, ela decidiu aprender a ler após o falecimento do marido e o incentivo da filha, para superar dificuldades que a acompanhavam desde a infância na lavoura. Hoje ela já escreve seu nome e copia palavras com mais facilidade, servindo de exemplo para seus quatro netos.

O incentivo familiar também foi o motor para dona Tereza Canuto, de 85 anos. Motivada pela irmã mais velha, Noêmia, ela buscou a oficina para perder o medo de escrever. “Antes, me dava uma tremedeira. Agora eu já escrevo sem medo, sem nada”, relata Teresa. Para ela, o tempo passado no CCI é um refúgio mental. “As horas que a gente fica aqui refrescam a cabeça, parece que a gente dá um tempo para a gente mesmo”, disse.

Conexão com o mundo

A oficina de espanhol amplia ainda mais essas possibilidades. As aulas acontecem às segundas e quartas-feiras e também são voltadas exclusivamente para alunos previamente inscritos.

Ministrada pela técnica de Ensino Superior em Letras, Letícia Gentelini, a atividade trabalha a conversação e a compreensão gramatical básica, com apoio de métodos lúdicos, músicas e atividades em grupo. A iniciativa dialoga com a realidade regional e o contexto da Rota Bioceânica.

Para Letícia, o interesse dos alunos superou as expectativas iniciais. “Saber pelo menos o básico da língua espanhola será importante, pois vamos receber pessoas de diversos países por conta da Rota Bioceânica. É muito legal os alunos, mesmo na terceira idade, saberem se comunicar. Eles me surpreendem a cada dia e estou muito feliz porque eles são muito espertos e interessados”, destaca a técnica.

Entre os alunos de espanhol, a ex-agente de trânsito Dilma Moreira encontrou no curso a chance de se comunicar melhor em suas viagens anuais para visitar a filha nas Ilhas Canárias. “Eu já conseguia me virar na Espanha, mas estou aprendendo o jeito certo de falar agora. Vai ser muito útil para as minhas próximas viagens”, explica Dilma.

Já o senhor Roberto Suzuki, veterano do CCI há 11 anos, leva o aprendizado com bom humor. “O papagaio velho aprende a falar? Aprende! Eu escolhi a oficina certa para continuar em movimento”, brinca Roberto.

Mais do que espaços de aprendizado, as oficinas do CCI Vovó Ziza se consolidam como ferramentas de inclusão, convivência e promoção da autonomia na terceira idade.

#ParaTodosVerem: Na imagem em destaque mostra as idosas em sala de aula

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