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Agora: Governador Riedel vai na comitiva de governadores para apoiar as forças de segurança contra o crime organizado no Rio de Janeiro

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Em uma demonstração pública de apoio ao estado do Rio de Janeiro após a mais letal operação policial já registrada em sua história, o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), confirmou sua participação na comitiva de chefes de Executivo estaduais que vão deslocar-se à capital fluminense.

A iniciativa ocorre à reboque da operação deflagrada na terça-feira (28), nos complexos do Complexo do Alemão e da Penha, zonas norte do Rio, que resultou em mais de 120 mortos segundo fontes locais, acionando críticas à condução do policiamento e à escalada da violência.

Riedel, que enfrenta internamente no Mato Grosso do Sul tensões graves no campo — com conflitos entre indígenas, policiais e fazendeiros em Caarapó — usa a viagem para alargar sua presença nacional e reforçar discurso de segurança.

Um gesto político ou estratégico?

A composição da comitiva reúne governadores de perfil centro-direita e direita: os chefes dos estados de Santa Catarina (Jorginho Mello, PL), Mato Grosso (Mauro Mendes, União), Rio Grande do Sul (Eduardo Leite, PSDB), Minas Gerais (Romeu Zema, Novo), Paraná (Ratinho Júnior, PSD) e o próprio Riedel já manifestado.
A proposta declarada é prestar “solidariedade” ao governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e apoiar as forças de segurança que enfrentam a escalada do crime organizado.

Segurança, integração e ausência de comando federal?

Apesar do gesto, o movimento expõe fragilidades e interrogações. O Ministério da Justiça e Segurança Pública alertou que não havia sido acionado formalmente pelo governo do Rio para validar a operação ou mesmo para integrar previamente a ação.
Analistas observam que o fenômeno da violência fluminense ultrapassa os limites estaduais e exige uma coordenadoria nacional — algo que, na prática, ainda não se operacionaliza.

O que está em jogo para Riedel

Para o governador sul-mato-grossense, a participação tem duplo significado:

Externamente, reforça seu alinhamento com pautas de segurança pública nacional, fortalecendo seu discurso de “governo firme” frente ao crime organizado.

Internamente, permite capitalizar sob o argumento de que o Mato Grosso do Sul vive desafios semelhantes (como os embates em Caarapó) e que sua liderança extrapola o regional.
Contudo, o risco também existe: se a operação do Rio gerar mais críticas (nacionais ou internacionais), os governadores que se associaram podem ficar vinculados à narrativa de conivência ou insuficiente controle.

Conclusão

Mais do que um gesto simbólico, a ida de Riedel à comitiva que se dirige ao Rio de Janeiro revela o esforço de um político que busca ampliação de palco, associação com pautas de ordem pública, e construção de imagem de “guerreiro contra o crime”.
Ao mesmo tempo, evidencia o vácuo de ações nacionais efetivas de integração no combate ao crime organizado — colocando cada vez mais os estados como atores isolados em batalhas que já transcenderam fronteiras regionais. Se a operação fluminense for bem-sucedida e respaldada pela união federativa, poderá ser lançada como modelo. Se fracassar ou gerar escândalos, o palco se tornará armadilha.
Para o Mato Grosso do Sul, restará observar se o discurso se transforma em resultado — tanto lá no Rio quanto aqui em seu próprio território.

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