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Alerta para super El Niño fortalece planejamento da Sala de Guerra para integração e prevenção de incidentes em MS

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Com 81% de chance de um evento de alta intensidade até o início de 2027, órgãos públicos, concessionárias e Forças Armadas cruzam dados para proteger serviços essenciais e a população

Com a constatação de que o clima extremo deixou de ser exceção no planejamento de longo prazo, a Sala de Guerra realizou mais uma reunião de trabalho nesta terça-feira (4), em Campo Grande. Sob coordenação da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (AGEMS), o encontro reuniu órgãos

governamentais estaduais e municipal de diferentes áreas, concessionárias de serviços públicos, Forças Armadas e especialistas com o objetivo de conhecer e compartilhar informações, integrar dados meteorológicos, antecipar cenários de risco e acelerar respostas preventivas diante dos efeitos do fenômeno El Niño.

Abertas pelo diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis, as discussões técnicas focaram na articulação coletiva como ferramenta de proteção aos cidadãos. Durante a abertura, ele reforçou que o espaço não pertence a uma única instituição, mas funciona como um ambiente de convergência para troca de informações e planejamento preventivo.

“A Sala de Guerra é um espaço de planejamento e troca de informações. Quando falamos de eventos climáticos, estamos tratando de situações que podem afetar diretamente a rotina da população. Por isso, é fundamental reunir os parceiros, ouvir especialistas e trabalhar de forma preventiva. Quanto mais preparados estivermos e mais integradas estiverem as instituições, maior será a nossa capacidade de resposta diante de qualquer cenário”, pontuou Carlos Alberto de Assis.

Base de dados científicos para alertas e prevenção

Essa foi a quinta reunião do colegiado criado em 2023, um ambiente coletivo de planejamento e troca de informações, reforçando a importância da união entre todas as entidades para manter a capacidade de resposta diante de eventuais imprevistos climáticos.

O destaque da reunião foi a apresentação da meteorologista Ana Paula Paes, especialista em Ciências Atmosféricas. Ela detalhou que o El Niño, formado no início de junho, segue em fortalecimento.

Atualizações técnicas de julho indicam 97% de probabilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027, com 81% de chance de evolução para um evento de intensidade “muito forte”, o que se denomina ‘super El Niño’. Os reflexos mais acentuados no Estado devem ser sentidos entre outubro e dezembro, como no restante do País. As previsões apontam para chuvas mais intensas e acumuladas em poucos dias e aumento das temperaturas.

“Não podemos controlar o El Niño, mas podemos controlar como estaremos preparados para seus impactos. A transformação de dados meteorológicos em decisões de negócios é o diferencial entre os órgãos que são resilientes e os que são reativos. A tecnologia de monitoramento e modelagem permite janelas de antecipação de semanas e até meses”, explicou Ana Paula Paes.

A oscilação climática provocada pelo El Niño traz riscos diretos à sociedade: a irregularidade hídrica pode comprometer safras e afetar reservatórios, tempestades severas acompanhadas de raios podem impactar o fornecimento de energia elétrica, enquanto alagamentos e secas podem interromper rotas logísticas em rodovias, ferrovias e na navegação.

Enquanto os dados científicos permitem preparar esse tipo de alerta, a articulação entre os setores regulados e as forças de resposta foi apontada como o pilar para garantir segurança à população durante o período crítico.

O coordenador-geral de Proteção e Defesa Civil do Estado, coronel do Corpo de Bombeiros Hugo Djan Leite, ressaltou a importância do conhecimento compartilhado do planejamento de cada instituição parceira. A indicação é que no próximo encontro da Sala de Guerra sejam detalhados os planos de contingência e de ação de todas as áreas, com a matriz da responsabilidade de todos os envolvidos. Um dos destaques, por indicação desse órgão especializado, é estabelecer um mapeamento minucioso dos serviços, das estruturas e dos públicos mais vulneráveis, com definição sobre como cada órgão pode atuar em eventual situação de crise.

No setor elétrico, as concessionárias Energisa MS e Neoenergia Elektro detalharam atuações focadas na manutenção de sistemas resilientes, monitoramento de queimadas e planos de crise para eventos adversos. Na gestão ambiental e territorial, a Semadesc e o Imasul apresentaram a elaboração dos Planos de Ação Climática voltados a 30 municípios em situação de maior vulnerabilidade hídrica ou sob impacto de expansão industrial, como a região do Pantanal.

Ações sociais, saúde e suporte tecnológico

A resposta de emergência e suporte social também ganha escala. A Secretaria de Estado de Saúde relatou o andamento dos programas VigiDesastre e AdaptaSUS para apoio às prefeituras, enquanto a Assistência Social apoia as Prefeituras na atualização dos processos de concessão de benefícios eventuais junto aos 134 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) do Estado, garantindo agilidade no atendimento às famílias vulneráveis.

Na infraestrutura urbana, convênios entre a Energisa e Municípios, intermediados pela AGEMS, já garantem o manejo e a poda segura de árvores em 27 municípios, com tratativas em andamento junto à Secretaria de Meio Ambiente da Capital.

A rede de monitoramento conta ainda com o apoio de aparatos como o Sistema de Vigilância de Fronteira, do Comando Militar do Oeste (CMO), já disponibilizado para sensores de monitoramento do Instituto Homem Pantaneiro e que pode ser aproveitado por outras instituições. Pesquisas de universidades que integram a Sala de Guerra, e ações permanentes e de monitoramento do setor produtivo contra incêndios também ajudam a formar a teia de prevenção. São os casos do grupo Reflore, de empresas de florestas plantadas, e da Fazenda Caiman, uma das principais referências no turismo rural de MS.

A Ouvidoria do AGEMS, Cristiane Leite, ratificou a importância do canal como receptor direto das demandas do cidadão durante eventuais interrupções de serviços, atendimento que tende a ser mais eficiente com a garantia das ações preventivas em todos os setores.

A equipe responsável fará a consolidação das informações, considerando os seguintes encaminhamentos:

  • definição dos pontos focais de cada instituição;
    • criação ou atualização de um canal permanente de comunicação;
    • compartilhamento de dados, projeções e alertas;
  • identificação dos serviços, das estruturas e dos públicos mais vulneráveis;
    • revisão dos protocolos e planos de contingência;
    • alinhamento das responsabilidades institucionais;
  • identificação das estruturas e dos recursos disponíveis;
    • e continuidade da agenda de monitoramento e preparação conjunta.
    Em se tratando de impacto climático, um dos principais encaminhamentos também foi desenvolver ações visando o resfriamento das cidades.

A reunião contou com a presença da diretoria colegiada da agência reguladora, diretores Rejane Monteiro, de Inovação; Caroline Tomanquevez, de Transportes, Rodovias, Ferrovias, Portos e Aeroportos; e Matias Gonsales Soares, titular de Gás, Energia e Mineração e interno de Saneamento Básico e Resíduos Sólidos.

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