Conecte-se conosco

Geral GritoMS

Edir Macedo adquire controle do Banco Renner com aval do Banco Central

Publicado

em

O bispo Edir Macedo Bezerra, que já tinha uma fatia de 49% no Banco Renner, adquiriu o controle da instituição, após receber recentemente o aval do Banco Central.

O Banco A. J. Renner foi criado em 1981 pela família Renner, em Porto Alegre, e o nome faz alusão a Antônio Jacob Renner, o patriarca da família e fundador também das Lojas Renner, varejista de moda que hoje em dia não tem mais nenhuma ligação com a instituição financeira nem com a família Renner.

Em 2009, Edir Macedo anunciou a intenção de comprar uma fatia de 40% na instituição, mas a operação só saiu em 2013, quando ele e a esposa Ester adquiriram uma fatia de 49%.

Eles foram considerados pelo Banco Central como investidores estrangeiros, por terem domicílio no exterior, e, assim, a compra precisou de um decreto da presidente Dilma Rousseff considerando o investimento como de interesse do governo brasileiro.

Em 2018, já no governo Michel Temer, foi editado novo decreto com a possibilidade de a fatia estrangeira no capital ser elevada para até 80%. Na ocasião, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que Edir Macedo vinha pressionando o governo para conseguir aumentar sua participação no banco, mas que esbarrava em objeções da área técnica do Banco Central.

Questionado pela reportagem sobre por que Edir Macedo é considerado investidor estrangeiro, o BC afirmou que, “nos termos da legislação vigente, o domicílio no exterior, que abrange o domicílio fiscal, caracteriza o investidor como estrangeiro, para fins de sua participação no Sistema Financeiro Nacional”. Sobre as informações da coluna de Lauro Jardim, o BC disse que não comenta processos específicos de autorização.

Edir Macedo assumiu o controle do Banco Renner com participação indireta de 89,9020% no capital votante e de 76,3358% no capital total. Edir Macedo é dono da Rádio e Televisão Record SA, que por sua vez controla a BA Empreendimentos e Participações, que é dona da Renner Participações, que controla o banco A. J. Renner.

Na Renner Participações, é sócio da MJC Empreendimentos e Participações, que tem participação de 14,81% do capital da companhia. A MJC, por sua vez, é controlada pela televisão Goya, onde Domingos Barbosa de Siqueira, Wagner Negrão Garcia e Clodomir dos Santos Matos têm cada um participação de 33,33%.

Família Renner

Procurado, o Banco Renner afirmou que, com a mudança de controle e saída da família Renner do quadro acionário, o nome da instituição pode ser alterado. “O grupo Record já possuía participação qualificada considerável [no Banco Renner]. O direito de aquisição foi exercido considerando a falta de interesse na continuidade dos antigos controladores, além da dificuldade em encontrar novos investidores”, diz a instituição.

O diretor-presidente do banco é o bispo João Luiz Urbaneja. Segundo a instituição, ele é um “diretor homologado dentro das exigências e normas para exercer o cargo em qualquer instituição bancária e possui formação em marketing e MBA em gestão bancária. Possui 20 anos como bancário, além da experiência no mercado financeiro”.

Em 2019 – dados mais recentes disponíveis – o Banco Renner teve lucro de R$ 41,178 milhões, com alta de 60,5% na comparação anual. O resultado bruto da intermediação financeira se manteve praticamente estável, em R$ 132,822 milhões, mas as receitas de tarifas bancárias saltaram 112,2%, a R$ 80,699 milhões.

O Banco Renner tem 11 pontos de atendimento. O foco de atuação do banco é o financiamento de veículos usados, atuando nos Estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Também atua em operações de crédito de capital de giro, desconto de títulos, crédito consignado privado, entre outros, “frutos da sociedade com o Grupo Record”. Questionado sobre essa parceria, o banco afirmou que “a atuação é a mesma como qualquer outra empresa de mercado, em qualquer operação de crédito e investimento, conforme normas estabelecidas pelo órgão regulador”.

Mídia digital

Sobre qual seria sua exposição total ao Grupo Record, o banco diz apenas que “temos voltado nossos investimentos para a mídia digital”. Segundo o balanço de 2019, a exposição aos dez maiores clientes equivale a 4,3% da carteira total.
 

A carteira de crédito cresceu 41,2% no ano passado, a R$ 1,429 bilhão. O Banco Renner também é dono do banco digital Digi+, que afirma ter mais de 100 mil clientes e patrocinou alguns clubes de futebol.

Apesar de não terem mais sócios em comum, Lojas Renner e Banco Renner brigaram na Justiça pelo uso da marca anos atrás. A varejista queria ofertar crédito usando o nome Renner, mas o banco se sentiu prejudicado por essa operação. Após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que a Lojas Renner não poderia ofertar crédito com a marca Renner, mas também não precisava indenizar o banco por prejuízos que este alega ter sofrido, o caso chegou ao fim em 2017.

Procurada, a Lojas Renner afirmou que a Realize CFI, criada em 2017, é a instituição financeira do grupo, “que apoia o negócio de varejo através da gestão de produtos e serviços financeiros oferecidos aos clientes como instrumentos de conveniência e fidelização, alinhados com a proposta de valor da companhia”. Com informações do Valor Investe.

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook