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Netanyahu corre para Biden

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Favorecido politicamente por Trump nos últimos 4 anos, premiê israelense leva dez dias para chamar democrata de presidente eleito e tenta limar diferenças.

Benjamin Netanyahu levou 12 horas para reagir à vitória de Joe Biden e 10 dias para falar com ele e chamá-lo de presidente eleito dos EUA. O silêncio poderia ser mais longo, dada a sua devoção e lealdade quase messiânica ao presidente Trump, para quem telefonou assim que ele foi declarado vencedor, em 2016.

Mas o premiê israelense é também raposa política da mais alta estirpe: “Astuto, inteligente, durão e comunicador talentoso”, como definiu em seu livro “Terra Prometida” o ex-presidente Barack Obama, que nunca escondeu o desconforto e a impaciência na convivência com ele. Netanyahu achou por bem antecipar-se e correr para Biden, sem esperar que Trump reconheça a derrota.

No quinto mandato como chefe de governo, ele gosta de ressaltar intimidade nas suas relações com presidentes americanos. O atual era chamado de Donald; o próximo será Joe. O ex-senador democrata e ex-vice-presidente é um velho conhecido e atuava como intermediário sempre que azedava a relação entre Bibi e Obama.

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Com Trump, veio o período de bonança e alívio para o primeiro-ministro, que no último ano sobreviveu a três eleições. Com dificuldades para aprovar o Orçamento e sustentar a coalizão de governo com o rival Benny Gantz, Netanyahu é também réu em três processos por corrupção e abuso de poder. O quarto pleito em Israel é visto como inevitável.

O premiê agora faz questão de ressaltar uma narrativa antiga — a do apoio bipartidário dos EUA a Israel: “Não há diferenças entre democratas e republicanos.” A realidade dos últimos quatro anos mostrou o contrário.

Trump desfez mais de meio século de políticas dos EUA para o Oriente Médio, seguidas à risca por seus antecessores, independentemente do partido político.

Para Netanyahu nunca haverá aliado maior do que Trump, que o salvou politicamente com o reconhecimento de Jerusalém como capital e da soberania do país sobre as Colinas do Golã. O presidente americano interferiu na política interna do país, removendo a oposição à construção de assentamentos na Cisjordânia e apresentando um acordo de paz cujo maior beneficiário era Israel.

Trump acalmou os piores pesadelos do premiê israelense, ao retirar os EUA do acordo nuclear firmado por seis potências com o Irã. Na fase final da campanha, mediou a aproximação de Israel com antigos desafetos, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão, e prometeu acordos com mais dez vizinhos.

As mudanças na Casa Branca trazem Israel de volta ao antigo status quo na política americana — o de grande aliado, mas sem estar atrelado ao Likud de Netanyahu.

Biden deu a entender que, embora seja contrário à retirada dos EUA, não pretende retomar o acordo com o Irã nos moldes em que foi concebido. Tampouco cogita anexações de territórios ou fará vista grossa à ampliação de assentamentos.

A sorte de Netanyahu é que o presidente eleito tem uma extensa lista de crises domésticas para se ocupar assim que assumir a Casa Branca. E, até segunda ordem, Israel e o Oriente Médio estão em segundo plano.

fonte: G1

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