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Oficina gratuita de moda sustentável leva criatividade e consciência ambiental para crianças e adolescentes da Vila Nhanhá
A moda pode ser muito mais do que vestir. Ela pode ser ferramenta de expressão, criatividade, consciência ambiental e transformação social. É com essa proposta que a marca Screew Art Vestuário realiza, entre os dias 20 e 25 de julho, uma oficina gratuita de moda sustentável para crianças e adolescentes a partir dos 8 anos de idade no Núcleo Humanitário da Nhanhá, localizado na Rua do Comércio, nº 149, na Vila Nhanhá, em Campo Grande. As inscrições estão abertas até o dia 10 de julho, são gratuitas e podem ser feitas diretamente no endereço da ONG. Mais informações pelo telefone (67) 99203-1465.
As atividades acontecem no período vespertino, das 13h às 17h, e são abertas ao público. Durante cinco dias, os participantes terão contato com conceitos de upcycling — prática que transforma materiais e roupas descartadas em novas peças —, além de aprender técnicas de desenho, stencil, pintura em tecido e customização de vestuário.
A iniciativa será conduzida pelo multiartista e produtor cultural San Martinez, que mantém uma relação próxima com a comunidade desde 2022, quando realizou ações ligadas à cultura hip-hop no local.
“Foi um espaço que a gente conquistou levando o hip-hop para dentro da comunidade. Desde então realizamos eventos de graffiti, rap, dança e ações de alimentação, tudo construído de forma independente. Essa oficina é mais um passo nessa caminhada de compartilhar conhecimento e arte com as crianças e adolescentes da Nhanhá”, afirma.
A oficina pretende estimular reflexões sobre consumo, sustentabilidade e identidade. Segundo San, a moda sustentável pode ajudar a desenvolver a autoestima e ampliar a visão de mundo dos participantes. “A arte pode levar à criação do próprio estilo, do próprio jeito de pensar e de gerir a vida. Quando a criatividade é despertada desde cedo, ela ajuda a formar pessoas com mais autoestima, autonomia e capacidade de enfrentar os desafios do cotidiano”, destaca.
Ao longo dos encontros, os participantes conhecerão a origem do movimento de reaproveitamento de roupas e discutirão os impactos ambientais da indústria da moda. O objetivo é apresentar alternativas ao consumo excessivo e incentivar uma relação mais consciente com as peças de vestuário.
“Hoje existe um enorme desperdício de roupas no mundo. Muitas peças acabam descartadas sem destino adequado, gerando impactos ambientais. O upcycling (ou upcycle) se tornou uma das maiores ferramentas da moda periférica contemporânea. O termo significa, na prática, pegar algo que seria descartado ou que já perdeu sua utilidade original e transformá-lo em uma peça de maior valor, estilo e qualidade, sem passar por um processo industrial de reciclagem. Transformar uma roupa é dar um novo sentido para ela, criar novas possibilidades por meio da arte, do desenho e da pintura”, explica.
Para a realização das atividades, o projeto disponibilizará materiais específicos de customização, incluindo tintas para tecido e sprays à base d’água, não tóxicos e adequados para o trabalho com crianças e adolescentes. Segundo o produtor cultural, democratizar o acesso aos materiais também faz parte da proposta pedagógica.
“Muitas vezes o acesso à arte é limitado pelo custo dos materiais. O projeto possibilita que os participantes tenham contato com ferramentas que normalmente não estariam ao alcance deles. Isso também é inclusão”.
O encerramento da oficina contará com um desfile das peças produzidas, sessão fotográfica e uma exposição dos registros. A intenção é que as fotografias sejam posteriormente exibidas em escolas da região e também no próprio Núcleo Humanitário da Nhanhá, permitindo que familiares e moradores acompanhem o resultado do trabalho desenvolvido.
Para San Martinez, o momento final representa a celebração da criatividade e da identidade de cada participante. “Criar a própria roupa é uma forma de mostrar quem você é e quem deseja se tornar. Com uma diversidade de representações e estilos, o movimento tem como objetivo ajudar jovens de periferias, favelas e subúrbios a reconhecerem sua própria beleza e força, movimento esse que veio do hip-hop A fotografia fica como uma lembrança que atravessa o tempo, registrando esse momento de descoberta, autoestima e liberdade criativa”.
Além do aprendizado artístico, a oficina busca incentivar uma reflexão crítica sobre a origem das roupas, os impactos da indústria da moda e a responsabilidade coletiva na construção de um mundo mais sustentável.
“A ideia é que essas crianças levem consigo uma consciência maior sobre o meio ambiente, sobre consumo e sobre o próprio papel delas no mundo. São reflexões que podem ajudar a formar adultos mais conscientes das escolhas que fazem e do futuro que desejam construir”, conclui.
Este projeto conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), executado pelo Governo do Estado, por meio da FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul).

