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Em busca de soluções pela inclusão, professora desenvolve
projeto para atender alunos com deficiência no trajeto casa-
escola

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Sou professora do Ensino Fundamental e Médio na Escola Estadual Luísa VidalBorges Daniel em
Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. O projeto “Transporte escolar para alunos com
Deficiência” foi desenvolvido em 2019 onde fui em busca de Políticas Públicas para inclusão e
educação especial.
A ideia partiu de reflexões como: “O que eu posso fazer para ajudar os alunos com deficiência e
famílias na sua locomoção?”, “Como posso ajudar essas famílias?”
No meu percurso até a escola encontrava com algumas mães empurrando a cadeira de rodas ou
segurando seu filho autista pelo braço no sol escaldante ou em dias de chuva. Esse fato mexeu
muito comigo. Fiquei imaginando o que eu poderia fazer para ajudar essas mães que são
verdadeiras guerreiras.
Diante dessa situação, fui em busca de soluções e descobri que o meu estado, MS, é muito
precário em Políticas Públicas da inclusão e educação especial comparado a outros estados do
nosso território brasileiro.
Através de muitas pesquisas e leituras descobri que no estado de São Paulo existe uma lei desde
2010, na época proposto pelo hoje atual Deputado Federal Baleia Rossi:
Lei 265/2010 Autoriza o Poder Executivo a oferecer gratuitamente, aos alunos portadores de
necessidades especiais de sua rede de ensino fundamental, médio, superior e técnico, transporte
adaptado às suas carências físicas no trajeto entre suas residências e as escolas que frequentam.
Essa lei atende 645 municípios em todo estado de São Paulo com veículos adaptados. Os alunos
são acompanhados de monitores em todo percurso no trajeto casa-escola. Fiquei encantada com
essa possibilidade de poder fazer a diferença na vida de inúmeros alunos e famílias e fui conhecer
pessoalmente esse projeto. Retornei para Campo Grande motivada e com a certeza de que
poderia fazer algo de diferente para nossos alunos com deficiência e suas famílias.
No início de 2020 começou minha luta em busca de parcerias e que nossos governantes
pudessem me ouvir. Foram muitos “nãos” e muitas portas fechadas, mas nunca desisti pois
acredito que posso fazer a diferença na vida dessas pessoas e continuei lutando. Em fevereiro de
2021, depois de um ano buscando ser ouvida, o vereador Ronilço Guerreiro de Campo Grande
pediu para eu falar do meu projeto e prontamente relatei tudo o que almejava conquistar na
inclusão com o projeto do transporte para alunos com deficiência. O vereador me ouviu
atentamente e me disse: “Esse projeto é fantástico! Vou apresentar na Câmara Municipal”.
Foi aí que eu vi uma ponta de esperança e com os olhos em lágrimas tive certeza que estava no
caminho certo.
Relato sobre a Larissa Silva: Ela é deficiente visual total desde o seu nascimento. Não consegue
ir até sua escola sozinha no ônibus coletivo e sua mãe, Ana Paula Silva, não sente segurança de
deixar sua filha ir só. Sendo assim, a mãe Ana Paula sai de sua residência todos os dias ás
5h30mim da manhã para acompanhar sua filha até a escola e aguarda sentada em um banco
dentro da escola até o término da aula ás 11h30mim para retornar para casa. Essa rotina é diária

Relato sobre João Pedro Maciel: Tem paralisia cerebral e faz o percurso até a escola com a
cadeira de rodas. Em dias de muito sol ou chuva, sua mãe relata as dificuldades de utilizar o
transporte coletivo, pois muitos não são adaptados ou possuem espaço somente para um
cadeirante e em muitas viagens já está ocupado. “Temos que esperar o próximo ônibus que
demora mais de 40 minutos!”, segundo a mãe da criança.
Fonte: arquivo pessoal
Nessa caminhada conheci inúmeras mães nas escolas municipais, estaduais e instituições como
Pestalozzi, Juliano Varela (Síndrome de Down) entre outras. E a cada relato das dificuldades
diárias de locomoção até a escola ou nas instituições de reabilitação e fisioterapias, vi a
necessidade de ter esse transporte para ajudar essas famílias e dar um pouco de dignidade e
humanização pois só quem tem um filho com deficiência sabe as limitações diárias enfrentadas.
Resultados alcançados
Desde 2021 consegui que o projeto tornasse lei municipal nos municípios de Campo Grande,
Bandeirantes, Bataguassu, Corguinho, Sidrolândia e Iguatemi. Pretendo alcançar todos os 79
municípios do Mato Grosso do Sul.
Busco incansavelmente por parcerias, patrocínios e gestores políticos que possam ter um olhar
diferenciado com as crianças e adolescentes com deficiência.

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